Envaidecido pela vitória sobre o Real Madrid, o Benfica chegou a Tondela de salto alto e fato de gala. Mesmo vendo que o relvado estava longe de ser uma passadeira vermelha, a equipa de José Mourinho demorou muito tempo a perceber que Tondela não era palco para tais formalidades: era preciso vestir o fato de macaco.
No entanto, já foi tarde quando os encarnados mudaram a vestimenta e por isso saem do João Cardoso com um empate a zero, que premeia a união operária dos auriverdes, espelhada numa exibição gigantesca do guarda-redes Bernardo Fontes. Depois de quatro golos ao Real Madrid, a fonte de golos encarnada secou, apesar das inúmeras oportunidades.
O nulo ajustava-se ao intervalo. O Benfica foi de mais a menos, com Andreas Schjelderup e Gianluca Prestianni a mostrarem que a confiança pode fazer a diferença, mas, quando em demasia, até complica na hora de entregar o produto final.
O Tondela até atirou uma bola ao ferro, mas, a dada altura, encolheu-se e deu o tónico para o que seria a segunda parte. O Benfica demorou novamente a entrar num ritmo alto, mas, quando o fez, o Tondela praticamente abdicou de atacar. Por volta da hora de jogo, os encarnados somaram duas boas oportunidades de golo e, a partir daí, começaram a massacrar a área do Tondela – que já estava muito fustigada pela lama.
Com Sudakov a assumir o comando das operações, o Benfica criou jogadas de envolvimento que, de forma surpreendente, nem o relvado atrapalhou. Aliás, o maior obstáculo nem foi o estado do terreno, mas Bernardo Fontes, que tapou todo e qualquer buraco da baliza tondelense.
Nem a vertigem de homens como Anísio Cabral, Bruma, Rafa Silva ou Sydny Lopes Cabral foram capazes de travar a solidariedade e espírito operário dos beirões. De resto, quando Mourinho decidiu tirar os pensadores de campo para colocar os velocistas, a produção caiu.
O que também terá caído a pique é a confiança desta equipa do Benfica, que passa a ver o Sporting a cinco pontos e a partir de amanhã poderá ficar a 12 do líder do FC Porto. Foi uma semana bem ao estilo do que tem sido a época das águias: do oito ao oitenta. Mas mais vezes perto do oito.