É certo que houve uma equipa a parecer querer mais do que a outra. Leia-se, o Moreirense. Mas, o empate de hoje entre cónegos e o Casa Pia é, se analisarmos friamente, um daqueles resultados que não apresentará grande discussão. Para um espetáculo assim-assim, um empate (1-1). Tudo certo.
Não menos certo é que o jogo até começou animado. Pouco ou nada se tinha jogado na partida quando os olhos se arregalaram pela primeira vez.
Culpa de uma infantilidade – não há outro adjetivo – de Maracás. Patrick Sequeira repôs a bola em jogo rapidamente, serviu, de uma baliza à outra, Cassiano que, ao correr isolado para a baliza, foi rasteirado por Maracás.
O árbitro não hesitou, apontou para a marca de penálti e, aos três minutos, o Casa Pia disponha de um penálti a seu favor. Melhor entrada seria impossível.
Ou melhor, seria… se Cassiano tivesse marcado. O ponta de lança dos gansos denunciou demasiado o remate e permitiu uma defesa fácil de André Ferreira que não teve dificuldades em acertar o lado.
Esfumou-se a chance, aproveitou um Moreirense que, durante o resto da primeira parte, mesmo não criando chances, foi melhor e dominou.
Essencialmente devido à dupla Dinis Pinto – Diogo Travassos que, na direita, desequilibrou e muito. Kiko Bondoso também apareceu em bom plano e foi dele a assistência para um quase-golo de Travassos. O cabeceamento do jogador emprestado pelo Sporting obrigou a uma defesa apertada de Patrick (31m).
O primeiro tempo, diga-se, esteve longe de entusiasmar. Daí, o início desta crónica: tão bom ele começou [o jogo], tão monótono ele se tornou.
O marasmo seria desfeito, todavia, por Cassiano que, no único remate do Casa Pia, se redimiu da grande penalidade falhada. Corria o minuto 40 quando o ponta de lança, num remate à meia-volta, deu o melhor seguimento a um cruzamento de Larrazabal.
E assim chegámos a uma segunda parte que manteve a toada da primeira, com mais Moreirense. O empate não chegou logo aos 49m, apesar de o cabeceamento de Dinis Pinto ter passado perto, mas não demorou muito.
Seria de penálti e na mesma baliza da do Cassiano, qual dejá vu do primeiro tempo. Mas o desfecho foi outro: Allanzinho enganou Patrick Sequeira e restabeleceu a igualdade.
O jogo estava relançado, o Moreirense foi quem mais atacou; porém, apenas nos descontos a equipa de Vasco Botelho da Costa se aproximou com relativo perigo da baliza adversária.
O Casa Pia sofreu – essencialmente no período de descontos – mas aguentou o empate, garantindo que continua quatro pontos acima da linha de água. Já o Moreirense ainda sonha com a Europa.
Veremos.
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A FIGURA: Allanzinho
Podia ser Cassiano, do Casa Pia, que pelo melhor – e pelo pior – deixou a sua marca no jogo, com um penálti falhado e um golo marcado. Mas, a escolha para figura do jogo recai sobre Allanzinho por também ter marcado – de grande penalidade – e por ter sido mais consistente ao longo da partida. Foi o melhor elemento do ataque do Moreirense, mostrando que não só tem uma técnica acima da média, como parece ser um jogador cada vez mais maduro.
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O MOMENTO: Penálti falhado a abrir (3m)
Talvez se Cassiano não tivesse sido perdulário naquele penálti logo ao minuto 3, a história do jogo fosse outra. É certo que o Casa Pia conseguiu, na mesma, ficar em vantagem no encontro, com um golo de Cassiano aos 40 minutos, mas, marcar tão cedo, seria meio caminho andado para os gansos terem mais confiança e gerirem de outra forma o encontro.
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POSITIVO: Em Rio Maior, uma muralha
Desde que regressou à I Liga que o Casa Pia joga em Rio Maior, a dezenas de quilómetros do seu verdadeiro reduto, em Pina Manique. Já lá vão uns aninhos - e isso daria pano para mangas. Adiante. O certo é que, mesmo que longe de casa, desde que Álvaro Pacheco assumiu o comando técnico do Casa Pia que Rio Maior se tornou uma espécie de muralha para os gansos. Este foi o quarto jogo, com duas vitórias e dois empates. O bom recente momento também se deve a isso.