O Clássico terminou com um empate (1-1) a perspetiva dos dois treinadores sobre aquilo que se passou no tapete do Estádio do Dragão foi totalmente diferente.
Francesco Farioli considerou que o FC Porto foi «controlador» e «a equipa que tentou tudo para vencer», embora deixasse a nota de que o Sporting veio «com tudo» nos últimos minutos e fez sofrer os dragões. Já Rui Borges, foi mais longe:
No cômputo geral, fomos a equipa muito mais senhora do jogo. Faltou-nos em alguns momentos sermos mais agressivos na procura da baliza do FC Porto, mas tivemos sempre o jogo bastante controlado. Foi um jogo em alguns momentos expectante, mas connosco por cima. Entrámos muito bem, a querer ter bola e a empurrar o FC Porto para o seu meio-campo, e quebrámos a pressão do adversário. Depois o FC Porto foi equilibrando o jogo, mas melhorámos na parte final da primeira parte e entrámos melhor na segunda. Faltou-nos alguma agressividade no último terço. No único lance que o FC Porto tem na segunda parte, faz golo. Foi feliz e teve mérito. Depois tivemos de correr atrás do prejuízo. Merecemos o empate, que acaba por ser pouco, apesar de não termos criado grandes oportunidades. Mas estivemos mais perto da baliza do FC Porto do que o FC Porto da nossa baliza.
Os números do SofaScore, parceiro do Maisfutebol, mostram, de facto, uma ligeira superioridade do Sporting no Clássico. Os leões, por exemplo, tiveram mais posse de bola (55 contra 45 por cento) e expected goals (golos esperados) do que os dragões, um dado também inflacionado pelo lance do penálti a acabar a partida (1.29 do Sporting contra 0.77 do FC Porto).
Além disso, a equipa de Rui Borges rematou em 11 ocasiões, enquanto o conjunto de Francesco Farioli fê-lo por oito vezes. No entanto, mais de metade desses remates do FC Porto aconteceram… na jogada do golo de Seko Fofana, que marcou à quinta tentativa. Apenas um dos remates dos dragões contou como enquadrado na baliza – o do golo – enquanto o Sporting teve três pontapés na direção da baliza de Diogo Costa.
O Sporting também esteve mais atrevido junto à baliza portista, com 22 toques na área adversária, enquanto o FC Porto se ficou pelos 16. A juntar a isso, acumulou mais passes no último terço (82 contra 53).
Uma das grandes diferenças no Clássico foram os cantos, já que o FC Porto teve apenas um em toda a partida, enquanto o Sporting chegou aos oito.
Importa dizer que o jogo abriu após o intervalo. Quando Luís Godinho apitou para a recolha aos balneários, as duas equipas tinham um xG abaixo de 0.10 e ainda não existiam grandes oportunidades de golo no jogo, embora o FC Porto levasse dois remates contra apenas um do Sporting. O mapa do SofaScore, de resto, mostra que os bicampeões assumiram muito mais o jogo na segunda parte, sobretudo nos minutos finais, quando estavam a perder e foram com tudo para cima da baliza portista.
FC Porto seguro a defender, sobretudo no jogo aéreo
No capítulo defensivo, porém, o FC Porto esteve ligeiramente por cima. O Sporting até venceu mais duelos no solo (33 contra 25), mas os dragões impuseram-se nas alturas, ao vencerem 65 por cento dos duelos aéreos (11 em 17).
O FC Porto conseguiu ainda destacar-se nos desarmes. Este foi o ponto defensivo em que houve mais disparidade entre as equipas, com os portistas a registarem 25 desarmes contra 20 dos verde e brancos.
Rui Silva sem qualquer defesa e Alberto Costa no «vermelho»
No que toca aos guarda-redes, Diogo Costa saiu por cima, muito por força do penálti defendido – que Luis Suárez aproveitou para marcar na recarga. O guarda-redes do FC Porto fez duas defesas em toda a partida e terminou com 0.31 na métrica de golos evitados. Já Rui Silva, não fez uma única defesa durante todo o encontro e teve um registo negativo de -0.64. Quer isto dizer que o guarda-redes do Sporting sofreu mais golos do que aquilo que era expectável.
Quanto às performances dos jogadores, o SofaScore até atribui uma pequena vantagem à equipa do FC Porto, que teve uma classificação de 6.76 contra 6.68 do Sporting. Diogo Costa, Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Martim Fernandes e Seko Fofana passaram a barreira dos sete pontos e Alberto Costa foi o único abaixo dos 6.0. No lado leonino, Gonçalo Inácio, Morten Hjulmand e Hidemasa Morita foram os que mais ajudaram a elevar a classificação.