Foi uma viagem atribulada, com muitos solavancos e um tanque de combustível na reserva, mas o Benfica lá chegou ao destino pretendido - a vitória caseira que escapava há três jogos consecutivos. O Benfica bateu por 2-1 um Gil Vicente muito atrevido, que atirou duas bolas aos ferros e, segundo as estatísticas, bem podia (e devia) ter ganho.

Mourinho tinha dito que Lukebakio tinha gasolina apenas para 45 minutos... mas teve mesmo de recorrer ao 'híbrido' até ficar sem energia. O mesmo pode dizer-se do coletivo. Uma exibição esforçada e que trouxe o resultado desejado, porém, sem brilho. Num duelo de aves, a águia piou fininho, mas saciou a fome com um galo. Se pensa que houve festa... desengane-se.

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Mexidas de Mourinho não travaram entrada forte do Gil Vicente

José Mourinho mexeu necessariamente no onze inicial, após o castigo de Enzo Barrenechea por acumulação de amarelos. Aursnes recuou para o meio-campo, atrás de Ríos e de Sudakov, que atuaram como interiores. Perante a falta de criatividade do último jogo, Mourinho lançou Lukebakio e Schjelderup para extremos, com Ivanovic a ser relegado ao banco de suplentes.

Também aí houve novidades – Obrador ficou fora da ficha de jogo (Mourinho tinha dito que precisa de conhecê-lo melhor) e Gonçalo Moreira, jovem que se tem destacado pelos juniores, foi chamado pela primeira vez. César Peixoto, antigo pupilo de Mourinho no FC Porto, apostou no mesmo onze que levou de vencida o Estoril por 2-0, sem adaptar os gilistas a uma formação mais defensiva.

A entrada do Gil Vicente terá surpreendido até o gilista mais otimista – logo ao primeiro minuto, Murilo obrigou Trubin a uma grande defesa. Pablo falhou na recarga. Era um Gil incómodo, sem medo, que não desistiu enquanto não marcou. E não teve de esperar muito.

Num livre direto em zona frontal, Luís Esteves, ex-Nacional, marcou num remate irrepreensível para o lado de Trubin. Teve força e colocação. Porém, escapou à equipa de arbitragem uma falta sobre António Silva nos momentos que antecederam a falta que deu origem ao livre. As águias bem protestaram, mas de nada valeu.

O Benfica ia apalpando terreno mas o meio-campo não se revelou oleado. Aursnes não jogava naquela posição há muito e Ríos não conseguia oferecer linha de passe em muitas vezes. Talvez a falta de formação enquanto futebolista esteja a acusar na Europa. Porém, num lance de insistência, os encarnados chegaram ao empate.

Zé Carlos cortou mal um cruzamento de Schjelderup e Pavlidis respondeu de primeira, rematando por baixo das pernas de Andrew. 1-1. O jogo partiu-se, o Gil ainda ameaçou mas o 2-1 foi do Benfica.

Lukebakio apareceu nas costas da linha defensiva e ganhou uma falta dentro da área, com Buatu a acertar apenas nas pernas do internacional belga. Na conversão do castigo máximo, Pavlidis conseguiu o bis. A partir daí, o jogo estabilizou um pouco, mas um nome sobressaía – Dodi Lukebakio, sem grande pontaria mas sempre a causar perigo.

Gil confirmou superioridade na segunda parte mas... saiu de mãos a abanar

Ao intervalo, César Peixoto carregou no sentido de empatar a partida. Lançou Joelson (ex-Sporting) no lugar do apagado Agustín e os galos voltaram a cantar forte ao início da segunda parte. Lançaram duas bolas aos ferros da baliza de Trubin, para choque dos benfiquistas! Santi García e Murilo bem ameaçaram.

A sorte não parecia estar do lado visitante. Por seis centímetros, o golo do empate foi anulado. Joelson bateu Dedic e cruzou muito bem ao segundo poste, onde surgiu Pablo para encostar. Contudo, o filho de Pena estava ligeiramente adiantado. 2-1 na mesma.

Mourinho só viria a mexer perto dos 70 minutos. Tirou os dois extremos para fazer entrar Ivanovic e Barreiro. Mais tarde, entraram João Rego e Tomás Araújo. O que sobrou até final foi muito sofrimento da parte do Benfica... que até viu amarelos por perda de tempo. Nota ainda para a entrada do menino João Veloso, no último minuto, e a expulsão de Hevertton (Gil Vicente) por acumulação de amarelos.

A reta final mostrou um pouco daquilo que Rui Costa tinha avisado nesta quinta-feira – a equipa está desgastada física e emocionalmente. À base dos duelos, foi negando ao Gil Vicente aquilo que as estatísticas reclamavam – pontos para os visitantes. Tiveram mais posse de bola e golos esperados (sendo que o Benfica teve um penálti). 

O Benfica bem pode tirar os sapatos e dizer que, finalmente, chegou a casa. Mas as bolhas nos pés não mentem.

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