João Nuno, treinador do Estrela da Amadora, em declarações na conferência de imprensa após o desaire por 2-0 frente ao Tondela, numa partida a contar para a 23.ª jornada da Liga:

Eficácia beirã fez a diferença

«No futebol não há muito merecido ou imerecido. O Tondela fez golos, nós não fizemos. Primeiro, numa análise ao jogo, o Tondela entra logo, se é já uma equipa que gosta de estar organizada e num bloco baixo, e praticamente ao primeiro minuto tem o lance do penálti, apanhando-se em vantagem. O resto da primeira parte, tirando uma bola parada que é falta clara, acho que o Tondela não chegou mais à baliza. Nós, na primeira parte, tínhamos de encontrar melhor os caminhos. Em alguns momentos tivemos dificuldades em entrar no bloco baixo do Tondela. Ainda assim, tivemos duas ou três oportunidades claras de golo. Tivemos uma bola parada e uma excelente defesa a um remate do Paulo [Moreira]. Mas faltou-nos criar mais dinâmica, principalmente pelo lado esquerdo. Foi isso que tentámos corrigir ao intervalo, com a entrada do Max [Sholze] e do Bilal [Brahimi]. Mudámos um pouco a dinâmica do lado esquerdo, que era onde estávamos com mais dificuldades em entrar. O Jovane passou para dentro. Começámos muito bem a segunda parte. Tivemos novamente uma ou duas boas oportunidades para fazer o golo. E depois, num momento em que não podemos cometer aquele erro numa saída fácil, o Tondela faz o segundo golo. A partir desse momento, entrou mais o coração do que cabeça, menos organização, e tivemos o nosso pior período do jogo. O Tondela aí conseguiu jogar. Foi este o resumo do jogo, claramente, na minha opinião.»

Alterações táticas

«No último jogo não houve nenhuma alteração tática. Jogámos com linha de quatro em Guimarães, portanto foi igual ao que fizemos hoje. Basicamente, alterámos o ponta de lança e o central, que tínhamos de alterar porque estava castigado. Não houve mais alterações. O jogador que tinha chegado para médio defensivo passou para central, entrou o Kevin [Janson] e alterámos o ponta de lança. Foi essa a alteração que fizemos. Não acho que seja por aí, sinceramente. Quando jogámos com linha de cinco, em Alverca, na janela de mercado, não tínhamos um único extremo disponível para esse jogo. O único extremo que tínhamos jogou a defesa esquerdo, porque teve de jogar um jogador que tinha acabado de chegar. Como é óbvio, estamos tristes pelo resultado. Estamos tristes porque era claramente um jogo que não esperávamos perder. Queríamos muito ganhar este jogo aqui em casa, por todas as razões e mais algumas. Foi um jogo em que nos aconteceu tudo. Desde a expulsão, ao penálti, até ao facto de não termos conseguido concretizar duas ou três oportunidades praticamente flagrantes, na cara do guarda-redes, em que damos mais um toque e a bola vai ao lado ou por cima. Acho que tivemos oportunidades. Tínhamos e devíamos ter criado mais, para o volume de jogo que tivemos. Por vezes faltou-nos perceber melhor onde estava o espaço no bloco do Tondela. Eu não percebo como é que este jogo termina com sete minutos de compensação, mas pronto, isso é um problema do nosso futebol, é algo sobre o qual temos de refletir. Penso que os jogadores do Tondela caíram sete vezes durante o jogo, se calhar mais. O guarda-redes duas ou três, fora os restantes jogadores, e depois no final somos brindados com sete minutos de compensação. Não há muito a dizer sobre isto, é continuar. Eu não o faço desta forma tão gritante. Há quem diga que isto é bonito, que é o futebol e o espetáculo. Pronto, é o produto que quisermos ter. Se é este produto, tudo bem, eu não gosto disto. Acho que uma vez ou outra a minha equipa também já caiu, mas não o jogo inteiro assim. É a estratégia do Tondela, temos de respeitar. É assim o futebol.»

Faltou eficácia neste jogo?

«Não só. Faltou criação e eficácia em algumas oportunidades. Penso que até ao lance do 2-0, quando o Tondela faz o segundo golo, nós já tínhamos tido várias oportunidades de golo, algumas bem claras. Lembro-me do Paulo [Moreira] completamente sozinho dentro da área, que acaba por não rematar. Já referi também uma boa defesa a um remate do Paulo. O cabeceamento perigoso, quer do Jovane numa bola parada, quer do Sidney na primeira parte, com bolas a passarem muito perto da baliza. Mas faltou mais do que eficácia. Faltou, como eu disse, perante o bloco baixo deles, criarmos muito mais ruturas e muito mais desequilíbrios nos corredores. Na primeira parte, não gostei. Pelo lado esquerdo, o Otávio, por ser central e por não termos os dois defesas esquerdos disponíveis, acabou por não nos dar a profundidade que era necessária num jogo destes. O Tondela faz golo no primeiro minuto e ficou ainda mais confortável na sua estratégia, que é legítima. Nós é que tínhamos de encontrar soluções para desmontar essa estratégia. Defender com dez jogadores é futebol. Cada um escolhe a sua estratégia. Agora, atirar-se para o chão a toda a hora já não é bem futebol. Nós é que tínhamos de encontrar soluções para desmontar essa estratégia. E aí, sim, faltou-nos no jogo. Corrigimos ao intervalo, tentámos introduzir coisas diferentes no corredor esquerdo, que era essencialmente onde estávamos com mais dificuldades, porque pelo lado direito o Marques e o [Jeferson] Encada iam criando. Pelo lado esquerdo quisemos dar outras dinâmicas para tentar furar o bloco deles. Acho que a nossa entrada na segunda parte foi boa, por cima do Tondela, a pressionar e a criar oportunidades. Há depois o momento do segundo golo do Tondela, e a partir daí desencontrámo-nos totalmente. Deixámos de ser organizados, começámos a querer correr para todo o lado e não estávamos em lado nenhum. Acho que foi aí que tivemos o nosso pior momento do jogo.»