O Rio Ave encarrilou definitivamente no campeonato, alcançou a terceira vitória consecutiva e chegou à fasquia dos trinta pontos na Liga. Este domingo bateu o Estoril com uma reviravolta em pleno António Coimbra da Mota, num jogo que contou com três lances de bola parada. É o melhor período da equipa de Sylaidopoulos que, nos últimos três jogos, somou quase um terço das três dezenas de pontos que já amealhou. Os canarinhos estiveram a vencer, mas deixaram escapar a oportunidade de se aproximarem do Gil Vicente.
Um jogo entre duas equipas que atravessam uma trajetória ascendente que praticam um futebol positivo, mas que esta tarde anularam-se em boa parte de um jogo que começou aberto, mas que se tornou demasiado congestionado, com os dois blocos muito próximos e pouco espaço para a bola rolar.
Ian Cathro voltou a apostar num ataque móvel, deixando Alejandro Marqués no banco para dar rédea solta a Rafik Guitane e Begraoui que contavam ainda com o apoio constante de João Carvalho. Os canarinhos entraram forte no jogo, procurando montar, desde logo, um cerco à área de Van de Gouw, mas foi sol de pouca dura.
Sotirios Sylaidopoulos apostou exatamente no mesmo onze que há uma semana bateu o Estrela e a equipa reagiu muito bem ao período inicial dos canarinhos, subindo em bloco no terreno para asfixiar o jogo do adversário que, sem espaço, não conseguia acelerar o jogo.
Foi já com a contenda equilibrada que o Estoril chegou ao golo, aos 16 minutos, na sequência de um livre de Holsgrove descaído sobre a direita. O escocês deu efeito à bola com o seu pé esquerdo e Ferro elevou-se nas alturas para desviar de cabeça. Foi o segundo golo do antigo central do Benfica na Liga, depois de já ter marcado ao Tondela.
O jogo mudou num ápice. O Estoril deixou de carregar, recuou as suas linhas e cedeu a iniciativa ao Rio Ave que, até ao intervalo, teve mais posse de bola e o dobro dos remates [6 contra 3]. Os vilacondenses sentiram dificuldades em atacar a profundidade, com muitas pernas pelo meio, mas, a espaços, foram criando oportunidades. Olinho, num lance individual, rematou ao lado, enquanto Diogo Bezerra, já perto do intervalo, levou tudo à frente sobre a direita e rematou cruzado para grande defesa de Robles. Na sequência deste lance, Vrousai, com tudo para fazer golo, atirou ao lado.
Reviravolta com mais dois golos de bola parada
Ian cathro abdicou de Rafik Guitane [à partida com problemas físicos] para lançar André no arranque da segunda parte e Estoril voltou a entrar mais forte, prendendo o Rio Ave junto à sua área por vários minutos, com três pontapés de canto, vários lançamentos e livres. Um sufoco que até podia ter resultado no segundo golo, com destaque para uma cabeçada de Xeka.
No entanto, na primeira vez que os vilacondenses escaparam ao cerco, chegaram ao empate, também de bola parada. Um livre caricato com Xeka a cair sobre a bola, a reclamar falta, mas o árbitro considerou bola presa e deu livre para o Rio Ave. Diogo Bezerra cruzou tenso e Brabec marcou de cabeça. O Estoril provava do mesmo veneno das bolas paradas.
O jogo voltou a abrir-se, Vrousai quase virou o resultado, mas João Carvalho também levantou as bancadas com um remate à trave. O Rio Ave chegou mesmo a festejar a reviravolta, num remate de Blesa, mas a bandeirola estava levantada e não valeu. O lance ainda foi analisado pelo VAR que confirmou que o avançado estava mesmo adiantado, mas, logo a seguir, o VAR foi chamado novamente a intervir. Na sequência de um remate do mesmo Blesa, a bola foi ao braço de Begraoui e, depois de rever as imagens, o árbitro considerou que o braço do marroquino «não estava numa posição natural». Na conversão do castigo máximo, Blesa virou mesmo o resultado.
Cathro lançou de imediato Pizzi para o jogo e o Estoril voltou a carregar no acelerador, à procura do empate. O jogo seguiu vivo até ao final, mas o Rio Ave já não deixou escapar os três preciosos pontos que o deixam muito perto de confirmar a permanência no primeiro escalão. Uma situação que era difícil de acreditar no início de janeiro.
Figura do jogo: Diogo Bezerra imparável
Grande jogo do extremo brasileiro, a explorar muito bem o corredor direito, mas a aparecer também no corredor central. Foi uma permanente dor de cabeça para a defesa do Estoril e marcou o livre que permitiu a Brabec empatar o jogo numa altura crucial do jogo.
Momento do jogo: Blesa assina reviravolta à segunda tentativa
Blesa tinha saído a festejar minutos antes, mas a bandeirola estava levantada e não valeu. O lance esteve a ser analisado eternamente pelo VAR, mas não foi mesmo golo. Logo a seguir, o mesmo Blesa remata de fora da área e atinge o braço de Begroui. O marroquino parecia ter o braço junto ao corpo, mas André Narciso considerou que «não estava numa posição natural» e apontou mesmo para a marca de penálti. À segunda tentativa, Blesa assinou mesmo a reviravolta.
Positivo: João Carvalho nunca desiste
Mais uma grande exibição do capitão do Estoril que ficou cedo condicionado com um cartão amarelo. Um jogador que deixa sempre tudo em campo e esta tarde não foi exceção. Não se cansou de remar contra a maré e chegou a levantar o estádio com um magnífico pontapé que levou a bola à barra.