Ian Cathro, treinador do Estoril, em declarações na conferência de imprensa após a vitória por 4-2 frente ao V. Guimarães, para a 19.ª jornada da Liga.
Fórmula mágica na segunda parte
«Não havia uma grande diferença. Acho que havia alguns ajustes necessários no nosso processo defensivo, nomeadamente na organização defensiva quando a equipa se posicionava mais baixa em campo, para não permitir tantas vezes que eles conseguissem repetir o lado e isolar situações de cruzamento. Acho que sofremos um pouco com isso na primeira parte. Era preciso ajustar nesse sentido e garantir apenas que tínhamos as distâncias entre nós que gostamos de ter, para depois entrar nas várias dinâmicas que temos com bola. Não há nada de especial nisso, mas nós sabíamos que era muito importante elevar o nível de intensidade e agressividade e que, como queremos crescer como equipa e ter cada vez uma equipa mais capaz não só de competir, mas também de ganhar, era muito importante que o 1-2 não passasse para 1-3. Então, era importante o momento defensivo e o controlo dessas situações. Acho que a equipa mostrou essa atenção extra nesse sentido.»
Lominadze transtornado ao intervalo
«Não sei, fui para dentro. Só posso falar um bocadinho deste jogador. É um jogador com características diferentes, acho que tem muito potencial. É alguém que nós vamos ajudar. Está pela primeira vez fora do país dele, num contexto de futebol completamente diferente. É alguém de quem os colegas gostam muito e que apoiam. Parece que estou a falar como se houvesse algum drama, e não há. Ele está bem.»
Regresso de Xeka aos relvados
«Sei que é alguém muito importante para o grupo, é um dos capitães, é alguém de quem gosto muito também. Depois de dizer isto ainda vamos ter problemas, porque ele fala muito também, mas é importante para nós. Acho que uma das coisas que queríamos fazer aqui, além de tentar ajudar o clube a ganhar mais estabilidade, era acertar, do meu ponto de vista, o equilíbrio do plantel e ter mais jogadores com experiência para ajudar os jovens talentos que também temos. Ele tem um papel importante em tudo isso. Está a voltar, precisa de mais tempo para reencontrar a intensidade dele, porque é um jogador que percebe o jogo, tem qualidade, mas também é um jogador que mete intensidade no jogo. Precisa de tempo para isso. Temos de ir com calma e tentar tomar boas decisões em relação à reintegração, às cargas e a tudo isso para o ajudar. Mas é um momento importante ter um jogador destes a voltar. Toda a gente sabe, e seguimos em frente.»
Dinâmica ofensiva do Estoril
«Eu vi a nossa equipa em campo. Vi o que vejo todos os dias, vi o que nós trabalhamos todos os dias: intensidade, qualidade, combinação, ocupação de espaço, ataque ao espaço, de uma forma ou de outra. Vi isso e senti a nossa equipa, sobretudo na segunda parte. Também vi sinais de crescimento quando já temos um resultado positivo e vejo a equipa cada vez mais confortável nesse momento. Nunca vou esquecer o jogo da época passada em casa com o Farense, a ganhar 2-0 e empatar 2-2. E também não vou esquecer o jogo desta época em casa com o Moreirense, a ganhar 3-1 e empatar 3-3. Isto não é para tirar mérito ao adversário, porque a outra equipa também marcou os seus golos, mas senti que talvez não estivéssemos preparados para gerir esse momento e sentir-nos confortáveis com esse resultado. Não conseguimos manter o nosso jogo. Acho que, nos últimos jogos, estamos a mostrar que conseguimos virar um pouco a página e entrar noutra fase, de uma equipa cada vez mais próxima de saber ganhar. Este talvez seja o último passo para este grupo. E depois de dar esse passo, logo veremos.»
Estoril é o terceiro melhor ataque, mas sofre quase sempre
«Já falei muitas vezes do facto de querermos melhorar em todas as áreas. Também disse que não vamos fechar-nos numa sala e pensar que temos de sofrer menos golos e, por isso, atacar menos para ter mais estabilidade atrás. Não vamos fazer isso dessa forma. Vamos aceitar a responsabilidade de tentar melhorar ainda mais na parte ofensiva e, obviamente, muito mais na parte defensiva. Acho que hoje jogámos contra uma boa equipa, e eles vão criar situações, porque isto é futebol, a bola anda e essas coisas acontecem. Ainda não vi as imagens do primeiro golo, por isso não consigo comentar. Se houve um golo com um jogador no chão, depois vou ver e, se vos vir outra vez, posso dar a minha opinião. O outro golo é um momento de alta qualidade de um talento que estava em campo. Não sinto que tenha sido um jogo mal conseguido, ou mal conseguido defensivamente.»