Sérgio Vieira, treinador do Estrela da Amadora, em conferência de imprensa, após o empate (1-1) na visita ao Rio Ave, na 12.ª jornada da Liga:

«[Acha que o resultado se adequa?] Da nossa parte, o sentimento lógico e imparcial é que o resultado é injusto, mas não temos muitos jogadores que podiam ser titulares, foi uma equipa totalmente nova. Criámos dinâmicas que deram certo e não é fácil, como o Hevertton a central. Essas circunstâncias mexeram connosco esta semana e, fruto do foco dos jogadores, deu certo em muitos momentos de qualidade que tivemos. É o sentimento de alguma injustiça aquele que temos, tivemos momentos de grande organização defensiva sem permitir praticamente nada em termos de perigo iminente, apenas sentimos algumas dificuldades em criar por parte do Rio Ave. Fomos tendo as melhores oportunidades e os indicadores de querermos mais fora de casa, contra uma equipa que perante os seus adeptos e das notícias do fortalecimento do seu projeto, que é algo que mexe, ao contrário de nós que só se fala de lesões e condições de trabalho. Chegámos aqui e provámos que a força vem daquilo em que acreditamos.

Os jogadores foram magníficos, mas sentimo-nos tristes porque o foco eram os três pontos. Reagimos com muita qualidade  ao golo sofrido, infelizmente não levamos três pontos, levamos um e, sobretudo, muita alma em momentos de grande qualidade.

[A equipa adotou uma postura mais defensiva e a explorar o contra-ataque por estar com tantas baixas?] A nossa bola de saída não dá golo porque o remate sai uns metros ao lado, os primeiros remate de perigo são nossos, a equipa que melhor construiu neste relvado, em condições... Já vi este relvado em muito melhores condições, até os próprios jogadores do Rio Ave falaram acerca disso. Tivemos muitos momentos, abríamos as nossos médios para dar largura à nossa primeira fase de construção, atacámos a profundidade, envolvemos os nossos alas, chegámos de forma rápida a zonas de finalização, depois de passarmos a primeira fase de pressão do Rio Ave.

Em termos gerais, o único dado em que estiveram superiores a nós foi na posse de bola. O Rio Ave jogava em casa, vai ter um investidor milionário, jogadores que jogaram na liga espanhola e num clube grande, como o Hernâni, é normal que consigam ter bola, mas mais importante é onde têm a bola. Nada contra a competência do Luís [Freire], é um do grandes treinadores do futebol português, está a fazer um grande trabalho. Eles tiveram mais posse, mas que tipo de posse foi? Discordo da questão de uma equipa mais defensiva, o perigo do Rio Ave surgiu em momentos em que o André Luiz ia pressionar e os nossos timings de pressão eram batidos, como a nossa equipa estava descompensada. Foi muito por demérito nosso, porque as nossas regras são irmos coletivemante. Não acho que fomos uma equipa defensiva, fomos uma equipa audaz, que merecia ganhar e que merece muito mais do que tem neste momento. Mais do que as palavras é a vontade que temos de provar isso ao longo do tempo.»