Frente a frente os extremos do campeonato. Campeão nacional frente ao despromovido lanterna vermelha para uma película em que o mundo foi visto ao contrário. Os avenses venceram de forma difícil de imaginar (3-1), impondo a segunda derrota no campeonato aos dragões. 

Dois golos de Roni, que se estreou a marcar, e uma cabeçada de Aderllan Santos selaram a conquista dos três pontos para o AVS, na primeira vez que o FC Porto – melhor defesa da Liga – encaixou três golos nesta edição do campeonato. Definitivamente, tudo ao contrário. Deniz Gul, de cabeça, deu uma réstia de esperança aos dragões, numa igualdade tímida que durou apenas cinco minutos.

Já em modo de festa, o FC Porto de Farioli acaba por falhar aquele que era um dos objetivos que restava para as derradeiras jornadas. Já não consegue igualar o recorde de pontos de Sérgio Conceição, ao não ter capacidade para chegar aos 91 pontos. Quinto jogo sem perder do AVS, conseguindo pela primeira vez duas vitórias consecutivas. 

O Porto campeão apresentou-se na Vila das Aves com uma revolução no onze. Ao todo foram oito as mexidas na equipa, com sobrevivência de Alberto, Gul e Pepê num onze em que Cláudio Ramos e Prpic (acabou expulso) se estrearam como titulares no campeonato. No conjunto avense, o regresso de Gustavo Mendonça, por troca com Galetto, foi a única mexida de João Henriques. 

As pernas que sobraram de um lado faltaram no outro

Mesmo com um onze consideravelmente diferente daquele que é tradicional no FC Porto, os azuis e brancos sobrepuseram-se com naturalidade no jogo. A equipa de Farioli instalou-se com maior incidência no meio campo adversário, construindo vários lances ofensivos que invariavelmente iam morrendo na floresta de pernas montada na área avense. 

O conjunto de João Henriques foi organizado e abnegado nas tarefas defensivas, com Devenish em plano de destaque a comandar o setor mais recuado da sua equipa. O central colombiano foi exemplo de resiliência, fazendo vários cortes junto à pequena área, em muitos deles dando o corpo à bola.

As pernas que sobraram de um lado acabaram por faltar do outro. Num dos poucos lances em que teve a capacidade para se esticar até ao ataque, o AVS pôs-se na frente do marcador na sequência de um lance de bola parada. Roni disparou de pé esquerdo, vendo a bola passar caprichosamente pela confusão.

Numa primeira instância o FC Porto conseguiu limpar o lance, entre a confusão na pequena área com a bola batida para a pequena área, na ressaca Roni aproveita um primeiro ressalto em Mora para encher o pé esquerdo e adiantar os avenses no marcador e meio da primeira metade. 

Pressão portista e bomba de Roni

Reação enérgica dos azuis e brancos, que se intensificou após o descanso. Os campeões nacionais acusaram o golo, mas recompuseram e montaram novamente o cerco à área contrária a partir das diretrizes do período de descanso. Foram precisos apenas oito minutos para o empate.

Prpic, em estreia como titular no campeonato, encontrou espaço nas costas da defesa para lançar Borja Sainz, que na cara de Adriel picou por cima do guarda-redes. Na pequena área Deniz Gul confirmou o golo, de cabeça, indo de imediato buscar o esférico num sinal de que o dragão ainda não estava satisfeito.

Mas, a igualdade durou apenas cinco minutos e o final de tarde foi mesmo para o AVS. Roni disferiu uma bomba pouco depois, do meio da rua, batendo Cláudio Ramos pela segunda vez. Grande golo do médio, remate forte e colocado, a confirmar o cenário de surpresa. 

Já com mais um central em campo, Aderllan Santos foi à área adversária desviar e cabeça para o terceiro da tarde, selando aí o triunfo. Inesperado. O coração azul e branco ainda pulsou, com mais emoção do que racionalidade, mas os campões não conseguiram reentrar na disputa dos três pontos. Entre gritos de «o campeão voltou», o FC Porto cai na Vila das Aves.