César Peixoto, treinador do Gil Vicente, em declarações na Flash Interview da Sport TV após a derrota por 3-0 frente ao FC Porto, numa partida a contar para a 19.ª jornada da Liga.

Gil Vicente discutiu o jogo até ao fim

«É verdade. Acho que foi uma primeira parte equilibrada, com situações de um lado e do outro, uma equipa sempre muito bem organizada. Na segunda parte, acho que entrámos melhor do que o FC Porto e criámos duas, três situações, uma bola na barra em que podíamos ter feito o empate. Depois acontece a expulsão e é outro jogo. Mas, mesmo assim, um orgulho enorme na minha equipa, porque nunca deixou de procurar chegar à frente, nunca abandonou a nossa identidade, tentou competir até ao final, mesmo com menos um. Perante um FC Porto é difícil; aqui, um penálti e uma expulsão tornam tudo muito complicado. Mas acho que competimos, era o que nós queríamos. Nós sabemos muito bem como ganhamos, como empatamos, como perdemos, e sabemos qual é a nossa identidade. Não a abandonámos. Acho que a equipa fez um bom trabalho. Há um jogo até aos 70 minutos e, depois, a partir daí, existe outro.»

Expulsão é decisiva no jogo

«O 3-0 é uma consequência do que aconteceu com a expulsão. A partir daí, tornou tudo muito mais complicado. O 3-0, a mim, não me diz rigorosamente nada. Claro que quanto menos golos sofremos, melhor, mas a mim não me diz nada. Diz muito daquilo que nós fizemos até aos 70 minutos, perante um FC Porto forte. O FC Porto está de parabéns, isso não está em causa. Não venho aqui arranjar desculpas, mas a verdade é que a equipa esteve muito bem, muito organizada. Criámos oportunidades, mandámos uma bola à barra, tivemos situações no início da segunda parte e a primeira situação de golo foi nossa, na primeira parte. O FC Porto também teve duas situações dentro da área e também podia ter marcado. Acho que dividimos o jogo, não metemos o autocarro, como eu disse. Apenas o resultado não foi o que nós queríamos.»

Palavras para Vasco Sousa

«Deixe-me só dar aqui uma palavra que, para mim, mais do que o jogo, mais do que a derrota por 3-0, é importante no futebol: deixar uma palavra de força, uma mensagem de apoio ao Vasco Sousa, pelo que tem passado. Infelizmente, esta é a pior parte do futebol, é a parte que mais custa: um jogador não conseguir fazer aquilo de que mais gosta, que é a sua paixão, jogar futebol. Ele tem de ser muito resiliente, tem de acreditar; quando ninguém acreditar, ele tem de continuar a acreditar, porque é muito novo, tem muito talento e o futebol ainda lhe vai dar muitas alegrias, com certeza absoluta. Acho que é importante nós, eu como treinador, mesmo agora, depois de perder um jogo que não queria perder, estarmos solidários. Infelizmente, na minha carreira também tive algumas lesões e houve uma altura em que estive quase dois anos parado. É inacreditável. Nós temos de acreditar sempre. O Vasco acredita sempre, vai conseguir ainda fazer uma grande carreira. E acho que isso é muito mais importante do que um resultado de futebol, do que um jogo, do que um penálti, do que uma expulsão. Isso é o que nos caracteriza: a condição humana. É alguém com muito talento que quer prosseguir a sua carreira, quer expressar o que sente, o que faz e a qualidade que tem, e não consegue por infelicidade. Isso custa muito. Mas penso que ele, pelo que me dizem, eu não o conheço pessoalmente, conheço-o como jogador, é resiliente, é um vencedor e vai conseguir dar a volta por cima.»

Expulsão de Martín Fernández

«O Martín está ali triste no balneário. Ele não vê o jogador do FC Porto, ele não vê. Eu penso que até lhe atinge na mão. É critério, é critério. Ele não vê, foi sem querer. Não venho aqui, até ficaria mal, arranjar desculpas. Eu não arranjo desculpas, tento arranjar soluções. Acho que a equipa, durante 70 minutos, competiu. Depois da expulsão é outro jogo, mas mesmo assim continuou a tentar competir, continuou a chegar à frente. Criámos também uma situação de golo com o Sérgio Bermejo, numa grande defesa do guarda-redes do FC Porto. Isso é que me deixa satisfeito: a equipa não se desmoronou, não se desorganizou, não baixou os braços, competiu até ao final. Saio daqui com um amargo, porque sinto que essa expulsão condicionou efetivamente o jogo. Nós podíamos ter competido até ao final e estávamos numa fase em que estávamos melhor no jogo, mas é o futebol.»

Opções no mercado

«Não, nós temos opções. Tínhamos o Carlos [Eduardo], que vinha de lesão, e o jogo não tinha características próprias para ele. O Agustín [Morales] voltou agora também e não quisemos arriscar. Ou seja, depois da expulsão, sinceramente, isso condicionou-nos muito. Tivemos de remendar um pouco a equipa para conseguirmos ser competitivos e, até ao final, foi isso que conseguimos fazer. O mercado está aberto, nós vamos trazer gente e vamos continuar, como eu costumo dizer, a brincar com os meus jogadores, a chatear a malta lá de cima. Isso não tenho dúvida nenhuma.»