FC Porto, Sporting e Benfica têm menos jogadores a rodar esta época, por força de várias circunstâncias. Mas ainda assim são mais de meia centena os jogadores sob contrato com os chamados «grandes» cedidos a outros clubes. O Maisfutebol olhou para o que andam a fazer os jogadores emprestados a equipas dos campeonatos profissionais em Portugal ou a clubes estrangeiros, a ver quem mais se destaca e quem está aquém das expectativas.

A primeira razão para a redução dos jogadores cedidos – que na época passada esteve perto da centena, juntando os três grandes -, é a mudança nos regulamentos da Liga, que passaram a limitar a seis o número de jogadores que cada clube pode ceder a outros clubes do mesmo campeonato. Sem poder ceder mais do que um ao mesmo clube.

Além disso, com a criação de uma nova competição esta época, a Liga sub-23, também passou a haver novo espaço de competição para os jogadores mais jovens. Benfica e FC Porto mantiveram além disso as equipas B. O Sporting extinguiu-a, o que ajudará também a explicar o facto de ser quem tem mais jogadores cedidos nesta altura.

Por outro lado há a legislação internacional. A FIFA aponta para legislação restritiva dos empréstimos, uma das medidas que deverá ficar definida no novo regulamento de transferências. O processo está em fase de discussão final e sobre a mesa estará uma limitação de seis a oito jogadores por clube, bem como a proibição de clubes-ponte ou sub-empréstimos. Os grandes portugueses, que têm tradicionalmente largas dezenas de jogadores sob contrato, têm que fazer essa adaptação. 

No que já decorreu da época há vários casos de cedências que são apostas ganhas, mas também exemplos negativos. Os mais óbvios são motivados por problemas físicos, como acontece com Francisco Geraldes, cedido pelo Sporting ao Eintracht Frankfurt e ainda sem qualquer minuto esta época, ou Lisandro López, que também ainda não jogou no Génova, onde chegou cedido pelo Benfica.

FC Porto (16)

Redução clara de jogadores cedidos. Estava quase nas três dezenas na época passada, entre jogadores colocados nos campeonatos profissionais portugueses e no estrangeiro, baixou para pouco mais de metade.

O grande destaque da temporada é Wenderson Galeno. O avançado brasileiro, que vai na terceira época de ligação ao FC Porto, voltou a ser cedido, depois de ter jogado no Portimonense na última temporada. E nesta época está a aproveitar a oportunidade no Rio Ave e afirmar-se claramente, sendo o jogador mais utilizado e aquele que tem mais golos marcados entre os emprestados do FC Porto.

Osório, no V. Guimarães, Ewerton, no Portimonense, Jorge Fernandes, no Tondela, e Mikel Agu, no V. Setúbal, também estão a fazer temporadas consistentes na Liga.

Lá por fora, Majeed Waris tem sido opção regular no Nantes, utilizado em todos os jogos da Ligue 1, mas ainda apenas com um golo apontado, para a Taça da Liga. É o mais utilizado nos campeonatos europeus, mas em absoluto quem tem mais jogos são os dois jogadores a atuar no Brasil, com a época já adiantada: Kelvin, no Vasco da Gama, e Walter, no CS Alagoano, na Série B brasileira.

Destaque ainda para Juan Quintero, 14 jogos a dividir pelo campeonato argentino e pela Libertadores, onde está a disputar a final com o River Plate. O colombiano leva dois golos marcados, um em cada uma das competições.

Saidy Janko, reforço que não chegou a jogar pelo FC Porto antes de ser emprestado, começou como titular no Nottingham Forest, mas tem agora sido utilizado de forma mais alternada no lado direito da defesa da equipa orientada por Aitor Karanka. José Sá, por outro lado, ganhou a titularidade na baliza do Olympiakos.

Pela negativa, a pouca utilização de Omar Govea no Antuérpia, com apenas 16 minutos de jogo esta época.

Em Portugal       

Galeno (Rio Ave): 16 jogos/1279 minutos (10 Liga/835 minutos); 6 golos

Ewerton (Portimonense): 10 jogos/677 minutos (9 Liga/657 minutos); 1 golo

Yordan Osório (V. Guimarães): 7 jogos/630 minutos (6 Liga/540 minutos); 1 golo

Jorge Fernandes (Tondela): 8 jogos/577 minutos (6 Liga/397 minutos; 0 golos
 

Mikel Agu (V. Setúbal): 7 jogos/630 minutos (5 Liga/450 minutos); 0 golos

 

 


No estrangeiro

Majeed Waris (Nantes): 14 jogos/780 minutos (13 Ligue 1/690 minutos); 1 golo

Juan Quintero (River Plate): 14 jogos/801 minutos (7 campeonato argentino/459 minutos; 2 golos

Kelvin (Vasco da Gama): 19 jogos/577 minutos (14 Brasileirão/407 minutos); 1 golo

José Sá (Olympiakos): 7 jogos/630 minutos (3 Liga grega/270 minutos)

Omar Govea (Antuérpia): 1 jogo/16 minutos

Saidy Janko (Nottingham Forest, Championship): 6 jogos/519 minutos (5 Championship, 450 minutos; 0 golos

Fede Varela (Rayo Majadahonda, II Liga): 15 jogos/1003 minutos (13 II Liga espanhola/851 minutos); 0 golos

Walter (CS Alagoano, Série B): 21 jogos/1177 minutos (13 Série B/680 minutos); 3 golos

João Costa (Cartagena, II B Espanha): 7 jogos/599 minutos (5 II B Espanha/389 minutos)

Rui Moreira (Cartagena, II B Espanha): 3 jogos/192 minutos (2 II B Espanha/102 minutos); 0 golos

Luís Mata (Cartagena, II B Espanha): 4 jogos/288 minutos (3 II B Espanha/168 minutos); 0 golos
 

Sporting (21)

O Sporting é quem tem mais jogadores emprestados nesta temporada nos campeonatos profissionais portugueses e no estrangeiros. Além de ter iniciado a época com o maior número de jogadores permitido – sendo que entretanto Rafael Barbosa já deixou o Portimonense e regressou às origens -, ainda tem mais seis jogadores cedidos na II Liga. Há ainda vários jogadores cedidos a equipas do Campeonato de Portugal, mas não entram nestas contas.

O destaque óbvio vai para Gelson Dala, uma das figuras da época do Rio Ave, e também o jogador cedido pelo Sporting com mais golos e mais jogos. Ivanildo, titular absoluto na defesa do Moreirense, e Mama Baldé, no Desp. Aves, também são outros casos de jogadores a aproveitarem os empréstimos para jogar muito. Com menor utilização, mas também a crescer em clubes com outra exigência estão Palhinha, no Sp. Braga, e Mattheus Oliveira, no V. Guimarães.

Lá por fora, Jonathan Silva agarrou desde logo a titularidade no Leganés. O lateral-esquerdo uruguaio, que vai no terceiro empréstimo por parte dos «leões», tem 11 jogos na Liga e um golo marcado e encontrou claramente o seu espaço em Espanha.

Época em grande para um português lá por fora: Domingos Duarte, 13 jogos na II Liga espanhola e com um bónus para o defesa, já três golos marcados no campeonato. André Geraldes, igualmente no segundo escalão espanhol, está também a jogar com regularidade.

A nota negativa vai obviamente para a situação de Francisco Geraldes, com uma lesão nas costas que ainda não lhe permitiu jogar qualquer minuto no Eintracht Frankfurt. Abaixo também do que seria de esperar Iuri Medeiros, com apenas 108 minutos de jogo no Génova.         

Em Portugal

Gelson Dala (Rio Ave): 15 jogos/848 minutos (10 Liga/553 minutos); 4 golos

Ivanildo (Moreirense): 10 jogos/900 minutos (9 Liga/810 minutos); 0 golos

Mama Baldé (Desp. Aves): 12 jogos/880 minutos (8 Liga/648 minutos); 1 golo

João Palhinha (Sp. Braga): 8 jogos/374 minutos (5 Liga/209 minutos); 1 golo

Mattheus Oliveira (V. Guimarães): 5 jogos/330 minutos (4 Liga/240); 1 golo

Ryan Gauld (Farense): 6 jogos/435 minutos (5 II Liga/402 minutos); 0 golos

Wallyson Mallmann (Estoril): 6 jogos/451 minutos (5 II Liga/331 minutos); 0 golos

Ricardo Guima (Académica): 9 jogos/698 minutos (8 II Liga/670 minutos); 0 golos

Ronaldo Tavares (Cova da Piedade): 11 jogos/713 minutos (5 II Liga/263 minutos); 1 golo*

Guilherme Ramos (Mafra): 10 jogos/900 minutos (9 II Liga/810 minutos); 1 golo

Pedro Ferreira (Mafra): 8 jogos/301 minutos (todos II Liga)

*Tem 5 jogos na Liga sub-23

No estrangeiro

Jonathan Silva (Leganes): 11 jogos/990 minutos (todos Liga espanhola); 1 golo

Iuri Medeiros (Génova): 2 jogos/108 minutos (ambos na Serie A); 0 golos

Matheus Pereira (Nuremberga): 5 jogos/238 minutos (4 Bundesliga/118 minutos); 0 golos

Domingos Duarte (D. Corunha, II Liga): 13 jogos/1139 minutos (todos II Liga); 3 golos

André Geraldes (Sp. Gijón, II Liga): 9 jogos/616 minutos (7 II Liga/406 minutos); 0 golos

 

Francisco Geraldes (Eintracht Frankfurt): 0 jogos

Alan Ruiz (Colón): 10 jogos/657 minutos (6 campeonato argentino/434 minutos); 0 golos

Ary Papel (1º de Agosto): 2 jogos/189 minutos (ambos no Girabola)

Leonardo Ruiz (Zorya): 7 jogos/356 minutos (na Liga ucraniana); 0 golos

Merih Demiral (Alanyaspor): 10 jogos/900 minutos (9 Liga turca/810 minutos); 1 golo

Benfica (18)

Teve mais de 35 jogadores cedidos na época passada, apenas nos campeonatos profissionais, número que baixou para 18 esta época.

O destaque óbvio é Luka Jovic, a fazer uma grande época no Eintracht Frankfurt, ao segundo ano de empréstimo. O jovem avançado sérvio, contratado ao Estrela Vermelha no inverno de 2016, fez dois jogos pela equipa principal nessa temporada e mais dois na época seguinte. Saiu para a Alemanha, onde marcou nove golos em 27 jogos em 2017/18  e está a superar expectativas nesta época: é o jogador com mais golos dos emprestados do Benfica esta época, nove na Bundesliga – incluindo cinco na goleada ao Fortuna Dusseldorf - e 12 nos 15 jogos já disputados. O clube alemão já anunciou que pretende acionar a opção de compra do avançado sérvio, que provavelmente deixará de ser jogador do Benfica sem voltar à Luz.

Numa lista que já não conta com Talisca, transferido em definitivo em outubro para o Guanghzou Evergrande, destaque também para Raul Jimenez, o jogador mais utilizado até agora, titular em todos os jogos da campanha do Wolverhampton orientado por Nuno Espírito Santo na Premier League. O avançado mexicano tem três golos marcados.

Entre os jogadores emprestados pelo Benfica na Liga, Heriberto é o principal destaque, com maior número de jogos e dois golos marcados.

Pela negativa, nota para a situação de Lisandro Lopez, ainda sem qualquer minuto de utilização no Génova, no meio de problemas físicos.

O Benfica continua de resto a ter ligação contratual a jogadores que nunca jogaram na Luz, casos de Salvador Agra ou Oscar Benitez.

Em Portugal

Heriberto (Moreirense): 11 jogos/693 minutos (9 Liga/616 minutos); 2 golos

Dálcio (Belenenses): 12 jogos/859 minutos (7 Liga/415 minutos); 0 golos*

Arango (Tondela): 10 jogos/543 minutos (8 Liga/402 minutos); 1 golo

André Ferreira (Desp. Aves): 6 jogos/540 minutos (3 Liga/270 minutos)

Pedro Rodrigues (V. Guimarães): 3 jogos/50 minutos (só Liga); 0 golos

Martin Chrien (Santa Clara): 4 jogos/189 minutos (3 Liga/99 minutos); 0 golos

Alan Júnior (Farense, II Liga): 9 jogos/564 minutos (6 II Liga/365 minutos) 0 golos

 

*Tem 3 jogos na Liga sub-23

No estrangeiro

Luka Jovic (Eintracht Frankfurt): 15 jogos/839 minutos (9 Bundesliga/560 minutos); 12 golos

Raúl Jiménez (Wolverhampton): 12 jogos/984 minutos (todos Premier League); 3 golos

Pedro Pereira (Génova): 7 jogos/453 minutos na Serie A; 0 golos

Filipe Augusto (Alanyaspor): 6 jogos/297 minutos (5 Liga turca/207 minutos); 0 golos

André Carrillo (Al-Hilal): 8 jogos/691 minutos (6 Liga saudita/511 minutos/2 golos

Oscar Benítez (Argentinos Juniors): 7 jogos/442 minutos (Liga argentina); 0 golos

Marcelo Hermes (Cruzeiro): 15 jogos/1301 minutos (11 no Brasileirão/941 minutos); 1 golo

Lisandro López (Génova): 0 jogos

Diogo Gonçalves (Nottingham Forest, Championship): 6 jogos/362 minutos (3 jogos Championship/122 minutos); 0 golos

Pawel Dawidowicz (Hellas Verona, Serie B): 9 jogos/516 minutos: 0 golos

Salvador Agra (Cádiz, II Liga): 7 jogos/303 minutos (4 II Liga espanhola/197 minutos); 0 golos