Naquele que será «um último esforço» antes de nova paragem para as seleções, FC Porto e Benfica reeditam, no Dragão, um Clássico em que a questão do tempo de recuperação dos jogadores se tornou central. O fisiologista Pedro Lisboa aborda o tema de um ponto de vista científico, mas admite que o aspeto emocional vai desempenhar um papel importante no desenrolar do encontro.

O Benfica chega a esta fase da época com mais cinco jogos disputados do que o FC Porto [14 contra 9], fruto da participação nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões e da presença na Supertaça, que conquistou diante do Sporting.

O arranque atarefado de temporada levou as Águias a adiarem o jogo da primeira jornada do campeonato, frente ao Rio Ave, que disputou a meio da semana passada, durante a qual fez três jogos num espaço de sete dias, numa sequência iniciada na Vila das Aves e fechada, na Luz, com o Gil Vicente.

Uma semana volvida, foi a vez de o FC Porto ver o calendário afunilar na mesma proporção, culpa do adiamento de última hora da visita a Arouca para a passada segunda-feira, por causa da Feira das Colheitas. A sequência incluiu o compromisso europeu com o Estrela Vermelha e fecha, precisamente, no Clássico de domingo.

O encontro em Arouca, adiado mesmo que por apenas 24 horas, influenciou o «planeamento das semanas de trabalho» dos Dragões, facto que ganha relevância por o reagendamento ter sido conhecido a menos de duas semanas do jogo, refere Pedro Lisboa, fisiologista na Catapult Sports.

Ainda assim, «o FC Porto geriu muito bem isso no jogo com o Estrela Vermelha», em que «rodou muitos jogadores». Pedro Lisboa vê aqui uma evolução. «No ano passado, isso não se viu muito. Os plantéis dos três grandes estão com mais profundidade. Isso permite rodar e continuar a ser competitivo, não influenciando o sucesso desportivo», salienta.

Do outro lado, no Estádio do Dragão, estará um Benfica com mais 48 horas de descanso relativamente ao adversário. «Qual será o impacto disso no jogo? É difícil ou quase impossível de medir, mas tem mais dois dias para se preparar», enquanto «o FC Porto, entre estes dois jogos, vai, essencialmente, recuperar», explica Pedro Lisboa.

O fisiologista, que já trabalhou no Real Madrid, entre outros clubes, lembra que, «hoje, fala-se muito em melhorar a performance, mas muitas vezes é mais melhorar o processo de recuperação do que a performance por si só», uma vez que «não há muito tempo para treinar».

Notando que, «cientificamente, as 72 horas são aquilo que se considera o mínimo para [um jogador] recuperar» entre jogos, o especialista sublinha que «há componentes importantes a ter em conta, como a idade do atleta», para além de que, «em alguns períodos, os jogadores podem ter de ultrapassar essas 72 horas para que a recuperação seja completa».

No caso de FC Porto e Benfica, «há profissionais muito bons e equipas multidisciplinares muito grandes que estão mais do que preparadas para estes cenários, que acontecem quase todos os meses», nota Pedro Lisboa. Imprevisíveis são situações como a virose que atacou o plantel das Águias.

«Nesta área mais científica, queremos controlar tudo, mas depois acontecem estas coisas completamente fora do que conseguimos controlar. Não sei a gravidade, vai depender um bocadinho da dimensão» do surto, atira o fisiologista.

Jogue quem jogar, no domingo o Clássico vai testar os limites dos jogadores. «Quanto mais recuperados, melhor, mas a componente psicológica tem um peso muito importante nos jogadores e vai ter um impacto muito grande», acredita Pedro Lisboa, que fala num «último esforço que as duas equipas vão fazer antes da pausa» para as seleções. E que esforço será!

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