Dois golos para lá dos 90 e noite de loucos no Dragão!

Quando o remate certeiro de Seko Fofana – mais um – parecia encaminhar, já depois dos 90, a vitória numa noite muito difícil para o FC Porto, o Famalicão gelou o Dragão por completo no fim da compensação. Um golo de Rodrigo Pinheiro, aos 90+9m, ditou um empate que pode deixar mais em aberto a luta pelo título.

Um empate justo, é preciso dizer-se.

Numa noite emocionante. Da euforia ao drama.

Se o FC Porto já passou várias vezes esta época por alguns apertos e fez da união, crença, qualidade, resiliência e eficácia alguns dos ingredientes para as sucessivas vitórias, a noite que antecede o Domingo de Páscoa foi amarga para o líder da Liga, ante um Famalicão que – como outros adversários, a exemplo Sp. Braga ou Estoril – causaram mais problemas no Dragão. Em dados aspetos, foi talvez a equipa que mais mossa criou na casa dos azuis e brancos.

Desta vez, a equipa de Farioli, que podia ter sofrido o 1-0 antes de marcar, sofreu mesmo o empate, ainda foi à euforia com o 2-1 de Fofana, mas o drama impôs-se, por fim, com o 2-2 de Rodrigo Pinheiro, que jogou no FC Porto de 2018 a 2024. É também caso para dizer que fica um Sorriso amarelo para os dragões, que aos 54 minutos sofreram o 1-1 do brasileiro, depois de Alberto Costa, na primeira parte, ter inaugurado o marcador, fazendo respirar momentaneamente de alívio a maioria dos 47562 adeptos no estádio.

Respirar de alívio, sim, porque o Famalicão é uma das melhores equipas desta Liga e não se adivinhava presa fácil para os dragões, no início de um abril potencialmente decisivo nas três competições ainda em jogo. E porque este, na primeira parte, mostrou que não ia ser uma noite fácil para o FC Porto, que teve na eficácia a sua… fama. Mas não todo o proveito do jogo, por fim.

E foi um FC Porto eficaz porque, à exceção de uma boa ocasião de Moffi aos 31 minutos a anteceder o golo, foi o Famalicão a ter mais e melhores ocasiões. Logo aos três minutos, Diogo Costa fez uma grande defesa a remate de Sorriso. Já com o 1-0 e perto do descanso, negou o empate a Gustavo Sá, que já antes tinha ficado, tal como Mathias de Amorim, perto de abrir o marcador.

Depois de alguns calafrios na primeira meia-hora, o FC Porto, com Alberto Costa, Rodrigo Mora e Moffi como novidades no onze inicial, conseguiu chegar à vantagem por Alberto Costa, após um cruzamento de Mora para a área socado por Carevic. Um golo que premiou a crença do lateral num lance em que ganhou a disputa aérea na sobra, tendo Moffi como assistente precioso antes do remate, dez minutos antes de Rodrigo Mora sair lesionado.

O Famalicão teve quase tudo mais na primeira parte do que o FC Porto nos distintos parâmetros estatísticos, mas não conseguiu marcar. Mas fê-lo nove minutos após o recomeço, por Sorriso, na recarga a um cabeceamento de Elisor defendido por Diogo Costa.

Por essa altura, já o FC Porto tinha Martim no lugar de Zaidu e William à direita, com Pepê à esquerda após a saída de Pietuszewski. William, no meio da confusão nos festejos do 1-1 famalicense, viu amarelo e falha a visita ao Estoril. O jogo arrastou-se numa noite de grande expectativa… até horas extra de loucos.

Fofana, que chegou em janeiro para reforçar o meio-campo do FC Porto, quase voltou a ser herói. Foi mesmo um momento imenso. Fez toda a equipa correr atrás de si, como de um herói se tratasse. Foi Farioli a correr como um louco para dentro de campo a celebrar. E foi a igual loucura azul e branca nas bancadas, no soltar de um grito que esteve preso nas gargantas durante quase todo o jogo. Um jogo em que o Famalicão, diga-se, deixou por vezes o líder da Liga de corda na garganta.

E por fim ficaria, plantada com o 2-2 de Pinheiro. O Famalicão respondeu a duas desvantagens e fez o que só Benfica e Sporting tinham feito no Dragão: tirar pontos ao líder, num dos jogos mais eletrizantes da Liga 2025/26.