Numa equipa privada de primeiras e até segundas opções, nomeadamente no centro da defesa e no ataque, o FC Porto fez, por mais uma jornada, a defesa da liderança a partir dos jovens dragões que tem no elenco.

Sem nomes como Samu, Kiwior ou Thiago Silva e depois da Choupana, foram eles que se chegaram à frente e o líder da Liga voltou a vencer pela margem mínima. Agora no Dragão, frente a um Rio Ave que, aqui e ali, não foi presa fácil para o FC Porto, que viveu um pouco até ao fim na expectativa e incerteza do 1-0. Mesmo enviando três bolas aos ferros.

Os jovens dragões que Farioli tem lançado a jogo são também um rio de esperança nesta época de grande regresso do FC Porto à luta pelo título. E foi neles que esteve a decisão do marcador. Pietuszewski, de 17 anos, novamente titular na esquerda do ataque, assistiu Froholdt, de 19, para o único golo do jogo e que valeu mais três pontos aos azuis e brancos. Mais pela eficácia (que podia ter sido bem maior) do que pelo espetáculo. Mas o mais importante foi feito. Como noutros jogos.

Depois de ver Sporting e Benfica ganhar com algum conforto, o FC Porto não cedeu e segue com quatro e sete pontos de vantagem, respetivamente, para os principais rivais.

Sem Thiago Silva, já em cima das ausências de Kiwior e Nehuén Pérez, Farioli voltou a adaptar Rosario a central ao lado de Bednarek e trocou Rodrigo Mora por Gabri Veiga no meio. Do outro lado, Silaidopoulos só trocou Tamble por Olinho e fez de Blesa a referência no centro do ataque.

Na primeira parte, pode dizer-se que foi como que partida ao meio. Nos primeiros 20 e poucos minutos, embora com o FC Porto com mais bola, não houve domínio claro do dragão, que ia estudando o adversário à procura da melhor forma e tempo para feri-lo. Gül até teve o golo quase nos pés, mas Brabec fez um grande corte (9m). Do outro lado, e num jogo com várias perdas de bola de parte a parte, o Rio Ave também avisou por Olinho (12m) e numa fuga de Spikic pela esquerda que por pouco não encontrou correspondência na área (18m).

Isto até Gabri Veiga, ao minuto 22, com um passe magistral, lançar Pietuszewski pela esquerda. Brabec ficou para trás e o polaco assistiu Froholdt para o desvio certeiro que embalou o FC Porto para um registo mais consistente até ao intervalo.

A partir daí, os dragões causaram mais perigo e o 2-0 esteve sempre mais perto: o remate de Gabri Veiga ao poste (33m) e o de Alan Varela pouco ao lado (38m) foram disso exemplos, perante um Rio Ave que deixou de conseguir sair com qualidade e critério, perdendo várias bolas que lhe podiam ter custado caro. Disso foi exemplo a que Gabri Veiga recuperou para lançar Gül no lance da discórdia da noite: o internacional turco caiu quando preparava o remate, perante Nikitscher, mas a arbitragem entendeu que não havia motivo para penálti e que o corte foi limpo.

O Rio Ave deixou um último aviso antes do intervalo resolvido por Diogo Costa e, talvez ciente de que o 1-0 era perigoso, o FC Porto foi à procura do segundo depois do descanso. E conseguiu. Mas não valeu… por oito centímetros. A jogada voltou a ser pela esquerda. E bem feita. Mas Pietuszewski, antes de servir Gabri Veiga – que assistiu para Gül marcar – estava adiantado quando Zaidu lhe colocou a bola (47m).

Apesar da vantagem mínima, o jogo foi sendo controlado pelo FC Porto e a ameaça do 2-0 pairou pela hora de jogo, mas Froholdt atirou ao poste e Gabri Veiga viu o golo negado pela muralha vilacondense. Isto antes de Farioli lançar Mora e William Gomes e, mais tarde, Fofana e Borja Sainz. Por dez minutos, Mora (que fez o jogo 100 como profissional) foi o falso 9 antes de Moffi ir a jogo. Mas de nenhuma forma o dragão resolveu por completo um jogo que foi mais desinteressante na parte final a nível de qualidade. Já perto do apito final, Van der Gouw negou o 2-0 a Rosario após canto e Rodrigo Mora atirou ao poste.

Por fim, e num jogo que acabou com algumas picardias e cartões amarelos, valeu o tal lance entre os jovens dragões, que são também um rio de esperança no ataque ao título.