Estas são as últimas linhas sobre o livro que o FC Porto de Farioli escreveu na época que devolveu o estatuto de campeão aos dragões.

Do quadro que pintou ao longo de 34 jornadas, mas que começou bem antes da primeira. De uma obra com história escrita, porém inacabada: de um livro aberto… já com notas escritas para 2026/27.

São as linhas comandadas por um italiano, talvez verdadeiramente desconhecido para a maioria do comum dos adeptos do futebol português há quase um ano, chegado após um pesadelo no Ajax e com desejo, como disse em julho, de «recuperar a mentalidade do FC Porto», também ele vindo de uma fase difícil.

De um treinador de futebol. De um estudioso do jogo, da filosofia, da arte e da música. Da vida, que tantas experiências de vida já lhe trouxe, de Itália a Portugal, passando por Turquia, França e Países Baixos… até ao país que lhe trouxe, com este FC Porto, o ponto mais alto.

Esse FC Porto, agora ele mesmo em ponto alto, costurado com linhas certas e absolutamente transformado em dez meses, que desde os primeiros rascunhos do primeiro de 34 capítulos neste campeonato mostrou que estava de volta. Aquele verdadeiro FC Porto, que entrega garra, atitude, qualidade e também eficácia.

Disso, dúvidas não havia.

Desde o líder Bednarek na defesa ao motor Froholdt no meio, passando por outras peças importantes que já estavam (como Diogo Costa) e as que chegaram para completar um puzzle que tinha, nos bastidores, a importância de tanta gente. Entre eles Jorge Costa, que mais uma vez, na tarde da consagração, foi lembrado. Ele e Pinto da Costa.

«O Rei e o Capitão entregam a taça ao campeão», pôde ler-se, numa faixa nas bancadas, logo a abrir um jogo em que o FC Porto já se apresentou com a nova camisola para 2026/27.

Se as dúvidas de um FC Porto competitivo cedo foram dissipadas na época, aos poucos também deixou de ser, como se diz em bom português, «um 31» a questão da luta pelo… campeonato número 31.

Foram as três vitórias a abrir a Liga sem golos sofridos. A importância da vitória em Alvalade, ainda em agosto, a ditar uma liderança isolada que não mais fugiu. Apenas dois pontos perdidos em 51 possíveis na primeira volta.

Mas… por aí pairavam os fantasmas de Farioli, não era? Foi a inesperada derrota com o Casa Pia antes do clássico com o Sporting, ou aquele empate cedido em casa com o Famalicão.

Mas aquele italiano que se disse, antes de chegar ao Dragão, não ser um «treinador defensivo, mas sim alguém capaz de libertar os jogadores», colocou por fim a equipa no ataque ao título e à libertação de uma festa que começou há duas semanas e vai ser pintada hoje, noite dentro. Do Dragão aos Aliados, passando pela Ribeira, depois do jogo com o Santa Clara.

Ah, e porque claro, este livro foi fechado contra os açorianos, é preciso dizer que a tarde foi mais de consagração do campeão, lembranças e homenagens (como ao campeão europeu de hóquei em patins ao intervalo), do que propriamente de um grande jogo de futebol.

Mas não se vá embora sem estas últimas linhas. Porque há momentos que ficam para a história deste último capítulo.

Depois da derrota contra o despromovido AVS, Farioli fez regressar peças nucleares ao onze (como Diogo Costa, Bednarek, Kiwior, Froholdt, além de William) e os pontos altos da tarde surgiram já nos 25 minutos finais, quando Sidney Lima fez o autogolo que carimbou a vitória do FC Porto (69m) e, a seguir, João Costa (71m) e Bernardo Lima (82m) foram coroados campeões, com os primeiros minutos na Liga, além do regresso de Nehuén Pérez à competição, oito meses depois de longa paragem por lesão.

E foi assim o último capítulo de um novo livro na vida do Dragão.