Há um campeão do mundo de seleções a jogar no Feirense. Antonio Briseño, 24 anos, avança para a segunda época em Portugal e transporta jogo após jogo a adrenalina que sentia no enduro. 

Sim, o mexicano da Feira chegou a ser vice-campeão nessa categoria de motociclismo, quando ainda se dividia entre duas paixões. 

O futebol triunfou e trouxe-o para o Velho Continente, um sonho de criança. Na primeira temporada em Portugal acabou a titular e a marcar golos decisivos. 

Antonio Pollo Briseño parte para o segundo ano carregado de ambição e a pensar já em 2022. É nesse ano que se joga o Mundial do Qatar e o central azteca pretende marcar uma posição desde agora. 

Numa conversa com o Maisfutebol no Estádio Marcolino de Castro, Briseño revela episódios surpreendentes do passado, fala da profunda amizade com Miguel Layún, das dificuldades em lidar com o rótulo de menino rico e da felicidade inigualável que o nascimento da pequena Alessandra lhe trouxe. 

Em discurso direto, as confissões de Antonio Briseño, um dos bons centrais da liga portuguesa.

MF – Explique-nos a origem da sua alcunha: «Pollo». Todos o tratam assim?

AB – (risos) É por culpa do meu pai. Ele tem o pescoço comprido e uma cabeça grande, como um frango. Ou galinha. Então, chamam-me «Pollito» desde criança. Até aqui no Feirense me chamam assim.

MF – Nasceu em Guadalajara, uma das maiores cidades mexicanas. Como era o ambiente familiar?

AB – Nunca me faltou nada. O meu papá sempre me deu tudo. Eu adorava o futebol e as motos. Tenho três irmãs e somos muito unidos, até hoje. Só posso estar agradecido aos meus pais. O meu pai tinha uma empresa importante no ramo papeleiro e eletrónico. Começou a vender televisões e depois LCD. Em minha casa nunca nos faltou disso (risos). Depois, mais tarde, passou a comercializar livros escolares, canetas, lápis. Tinha um acordo com o Estado e abastecia as escolas de todo o país. As coisas correram-lhe bem, nunca nos faltou nada.

MF – A sua mãe ficava por casa?

AB – Tinha quatro filhos para tratar. Educou quatro seres humanos, foi essencial. No apoio emocional e escolar. Eu era o único rapaz e nunca me faltou mimo. Devo-lhes muito, devo muito aos meus pais. Eu tenho uma filha pequenina, Alessandra, e agora gostava de ter um menino. Vai chamar-se Antonio Briseño, como todos os antecessores. Será a quinta geração de Antonios.

Briseño com Crivellaro, o melhor amigo no Feirense

MF – Fale-nos sobre Guadalajara. É uma cidade boa para visitar?

AB – É uma cidade enorme, no ocidente do México. É a terceira maior cidade mexicana, depois da Cidade do México e de Monterrey. Tem mais habitantes do que Portugal: 12 milhões. Pode-se encontrar de tudo, praças históricas belíssimas, é bonita.

MF – Vive com a sua esposa e filha em Portugal?

AB – Elas chegam agora em agosto. Nada supera a sensação de ter um filho. Fazem-me muito bem, sinto-me mais forte e equilibrado, até em campo. Adoramos viver em Vila Nova de Gaia. Portugal é um país aberto, recebe muito bem os estrangeiros.

MF – É verdade que no Atlas era tratada por «menino rico»?

AB – Às vezes (risos). Lembro-me de um treino em que me chamaram isso e não gostei. Cheguei a casa e falei com o meu pai, estava chateado. Não queria ser diferente dos outros. No clube havia ricos e pobres, meninos de todos os extratos sociais. A minha família não era rica, mas tinha mais condições do que os outros. Se eu chegava à escola ou ao clube com um motorista, ou num carro diferente, tinha de ouvir esses comentários. E andei à porrada algumas vezes, isso afetava-me. Mas ganhei o respeito de todos, sempre fui humilde. Dormi em casa de amigos pobres e levei-os também a dormir a minha casa. Milhares de vezes. Convivi com pessoas de todas as classes. Essa é a realidade. A partir dos 12 anos passei a ter uma vida de nómada, a viajar constantemente, a estar longe da família. Nunca tive vida de menino rico, de facilidades.  

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