José Faria, treinador do Estrela da Amadora, em declarações na conferência de imprensa, após o empate frente ao Estoril, 1-1, na primeira jornada da Liga:
[Mensagem a Jorge Costa]
«Esta semana eu queria começar a conferência de imprensa pela partida do Jorge. Era alguém com quem não tinha, curiosamente, ligação pessoal, mas com quem me identificava pela vontade, pelo querer, pela atitude, pela mentalidade vencedora. E agora que partiu vejo muita gente a posicionar-se, a lamentar. E é nestes momentos que nós metemos a mão à consciência e percebemos que isto é só um jogo».
[Consegue explicar a expulsão?]
«A resposta que me apetecia dar era... também não sei. Perguntem ao árbitro, mas como vocês merecem todo o meu respeito. A bola saiu, eu tentei dominar a bola, ela bateu no pé, entrou um metro, o jogo está parado e o árbitro decide expulsar. Apesar de o jogo ter emoção, acho que temos de ser muito mais flexíveis. Acho que não podemos andar a pedir para defendermos o espetáculo. Depois nós, que somos os intervenientes, acabamos por... não sei, foi muito fácil expulsar-me. Mas o árbitro da partida é alguém que eu até aprecio bastante em termos de seu trabalho. Tomou a decisão, certamente saberá o porquê».
[Ianis entra e marca no primeiro toque. Como analisa a exibição?]
«Sim, eu não gosto de individualizar, mas o futebol, as minhas equipas, os meus grupos, eu tenho que sentir ligação. Fala-se muito de família no futebol, mas eu tenho de sentir que os meus jogadores falam a minha língua. O Ianis chegou mais tarde que os outros, apesar de ir com ritmo de jogo. Nós acreditávamos muito que num plano estratégico para este jogo poderíamos ganhar bastante com a entrada do Gastão, que é um jovem atleta que eu trouxe de Angola. Acho que resultou bem o plano, o Gastão isolou-se na primeira parte várias vezes e deu muito trabalho aos centrais do Estoril. Queríamos na segunda parte depois ter o critério e a qualidade do Ianis. Agora, é um menino também, tem 20 e poucos anos, mas muito potencial e muita qualidade».
[Muitas entradas no plantel torna o trabalho mais complicado?]
«Muito difícil, para mim é muito difícil. Ontem o Famalicão entrou em campo com zero reforços no onze. No nosso caso temos de reconstruir tudo do zero. E ainda mais, porque foram poucos os jogadores que chegaram no dia um. Foram muito poucos os que se apresentaram. E nós somos uma equipa que individualmente tem muito potencial, mas estas coisas demoram, porque demoram a consolidar processos. Tentámos fechar processos defensivos, porque normalmente são aqueles mais fáceis de assimilar, mas depois acabamos por ficar um pouco curtos no ofensivo, porque não temos tempo. Depois vem a pré-época, temperaturas altas, desidratação e uma ou outra lesão. Mas isso é trabalho do treinador e não quero passar aqui a ideia de que há lamento».