Cruzes canhoto, Sporting! Na difícil visita a Moreira de Cónegos, onde tinha perdido na época passada, o leão inclinou o jogo para o seu lado esquerdo e, depois de uma primeira parte sem golos, acabou a vencer de forma tranquila. Entre o pulmão de Maxi, o talento de Luís Guilherme, a classe de Trincão e o golaço de Geny Catamo, o difícil é escolher qual destes pés esquerdos mais brilhou esta tarde.

Mas atenção, de falta de coragem e personalidade não se pode acusar este Moreirense de Vasco Botelho da Costa, que abordou a receção ao melhor ataque da Liga com uma linha de quatro defesas que nunca reforçou. Nem quando se tornou notório que o Sporting sabia perfeitamente como a castigar.

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Com Suárez e Geny Catamo de volta ao onze, os leões carregaram desde cedo pelo flanco esquerdo, onde Maxi Araújo, um lateral que passou grande parte do tempo em zonas ofensivas, Luís Guilherme e, por vezes, Francisco Trincão, o “vagabundo” do ataque, deixavam quem lhes surgia pela frente com a cabeça à nora.

Foi assim nos dez minutos iniciais, que fecharam com uma ocasião flagrante desperdiçada por Trincão na cara de André Ferreira.

No entanto, o bom arranque do Sporting não implica, necessariamente, que a estratégia do Moreirense tenha falhado. A equipa da casa conseguiu mesmo equilibrar o jogo, a partir do quarto de hora inicial. Fê-lo quando os dois médios, Stjepanovic e Rodrigo Alonso, começaram a perceber, e a antecipar, as movimentações dos adversários que surgiam entre as linhas defensiva e média, com destaque para Trincão e Suárez.

Com o tempo, o Moreirense passou a esticar-se mais no campo e, com isso, colocou o leão em sentido, ainda que lhe tenham faltado ocasiões flagrantes para reclamar outro protaganismo.

Do outro lado, a pressão intensificou-se na reta final da primeira parte, quando Luís Guilherme (45m) e Suárez (45+2m) desperdiçaram duas boas oportunidades para desbloquear o marcador.

Foi uma espécie de aviso para o que aconteceu no arranque do segundo tempo. Tal como tinha acontecido na primeira, o Sporting entrou com tudo, desta vez com a eficácia que lhe vinha faltando até aqui.

O 1-0 nasceu de mais um belo desenho pela esquerda, nascido numa recuperação de bola de Luís Guilherme. O brasileiro entregou-a a Maxi Araújo, que assistiu Trincão para uma finalização simples.

Dois minutos depois, aos 53, surgiu o momento do jogo. Geny Catamo recebeu a bola na direita, puxou-a para o meio e rematou, em arco, para o segundo do Sporting. O estádio quase vinha abaixo. Não era coisa para menos.

Num par de minutos, os leões resolveram a questão, ainda que o Moreirense não se tenha rendido pelo duplo golpe sofrido. Aos 64m, o recém-entrado Nile John acertou na trave, num remate que ainda foi desviado por Hjulmand, e no canto que se seguiu Maracás e Yan Maranhão atrapalharam-se, num lance prometedor.

Só que o Sporting não mais perdeu o controlo da situação, fechando a questão com o golo de Luis Suárez, que lá “picou o ponto” num jogo em que andou longe do brilhantismo habitual. Vida de goleador é isso mesmo: marcar, acima de tudo o resto.

O Sporting passou, com distinção, em Moreira de Cónegos e fica à espera do que fará o FC Porto, no domingo, frente ao Rio Ave. A luta pelo título segue nas próximas horas.