O golo de Ricardo Costa mudou por completo a história de um jogo que teve quase sempre a mesma cara. O Paços dominou até ao golo sofrido e em bom período da segunda parte, mas foi seriamente penalizado num canto. Apesar de poder ter sentenciado em transições, o Boavista sofreu, mas defendeu mesmo a vantagem mínima ganha ao minuto 35.

Cabeça e experiência no sítio certo do defesa internacional português, após canto de Sauer desviado de forma ineficaz por Hélder Ferreira, deram a terceira inédita vitória seguida ao Boavista. A noite é passada de forma isolada no sétimo lugar, à espera do que V. Setúbal e V. Guimarães possam fazer, para confirmar essa condição, ou não, ao fim da ronda.

Depois da atribulada jornada nos Açores, com derrota, Pepa mudou seis jogadores. Deu a primeira titularidade a Denilson, novidade numa equipa com três mudanças na defesa – Bruno Teles, Maracás e Bruno Santos – além de Luiz Carlos e João Amaral. Daniel Ramos apostou em Mateus face ao castigo de Heriberto.

Apesar de parco a criar perigo a Helton Leite, o Paços foi melhor até sofrer. Cedo vincou intenções de golo ao ganhar três cantos em seis minutos. Até meio da etapa inicial, quase só se viu bola no meio campo ofensivo dos castores.

O Boavista, organizado atrás, cedeu pouco espaço. Num raro esbanjo, Hélder Ferreira talvez não esperasse o mau corte de Fabiano na área e não conseguiu dominar. Os remates pacenses não saíam enquadrados, mas não havia desespero. Do outro lado, pantera trapalhona na grande arma da transição. Cassiano, Mateus, Paulinho, Sauer e Carraça estavam bem marcados no 3x4x3.

P. Ferreira-Boavista: toda a reportagem do jogo

O figurino mudou quando a primeira transição sucedida resultou num amarelo a Bruno Teles e no livre batido por Carraça que originou o canto para a vantagem do Boavista. Ricardo Costa já sobressaíra com cortes importantes e foi à frente para ser feliz, festejando ao jeito de Cristiano Ronaldo.

O Boavista foi por cima para o descanso e podia ter ido com mais conforto, não fosse Mateus esbanjar um «chapéu» na cara de Ricardo Ribeiro. A frieza dos números era desilusão para o Paços: de nada valeu ter 67 por cento de posse de bola, 6-4 em remates ou 6-2 em cantos. A vantagem era do Boavista e, além de Teles, Marcelo também ficara amarelado.

Pepa arriscou no reatamento ao tirar Luiz Carlos para lançar Douglas Tanque e a toada vista até ao golo ressurgiu. Paços ao ataque, Boavista a guardar a vantagem e a procurar saídas rápidas, como bem tinha já feito ante o V. Guimarães.

Tanque ouviu a bancada festejar, mas o desvio rasou o poste, por fora (51m). Foi o primeiro aviso pelo empate, antes de Helton Leite ter dito não aos remates de Bruno Santos, Hélder e Pedrinho. Pelo meio, Pepa deu tudo ao lançar Adriano e Diaby, sacrificando a abnegação de Eustáquio e Marcelo.

O Boavista, mesmo desperdiçando quatro momentos em que saiu em superioridade, acabou a sorrir. Ricardo Ribeiro fez a mancha aos pés de Paulinho, Carraça viu o poste negar um livre e Yusupha, já após falhar de forma imperdoável, viu Ricardo manter a esperança pacense, tal como a ajustada reversão de um penálti a favor do Boavista. Foi em vão e o xadrez dá à costa dos lugares cimeiros, à boleia da frieza e experiência.