Mais de metade das multas no futebol profissional aplicadas esta época deve-se ao recurso a artefactos pirotécnicos ilegais, registando-se uma subida de 13 por cento em relação à média dos últimos nove anos, segundo revelam dados da Liga que lançou esta quarta-feira uma campanha de sensibilização.

Sob o mote «Pirotecnia ilegal não é apoiar o teu clube», a iniciativa junta Liga, Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD), PSP, GNR e INEM, com o objetivo de alertar para o perigo real à integridade física de todos os intervenientes no espetáculo, desde adeptos a árbitros, prevenindo coimas e interdições de recintos.

A iniciativa recorre a três testemunhos reais — uma mãe de uma criança atingida por um artefacto pirotécnico, um jogador e um utilizador de pirotecnia — para alertar adeptos e sociedade em geral para os riscos, consequências legais e impactos negativos do uso de pirotecnia ilegal em recintos desportivos.

Os números revelados à agência Lusa pela Liga ilustram a dimensão do problema que levou aquela organização responsável pelo futebol profissional a avançar com a campanha de sensibilização que foi agora lançada.

Desde a temporada de 2016/17, 43 por cento do valor total das multas aplicadas no futebol profissional português estão diretamente relacionadas com a pirotecnia — seja por posse, entrada ou utilização de artefactos nos recintos desportivos.

Na época em curso, esse peso agravou-se de forma significativa, com a pirotecnia a ser responsável por 56 por cento do total das coimas, o que representa um aumento de 13 pontos percentuais face à média dos últimos nove anos.

Os dados revelam ainda que, nas últimas três épocas, o uso de pirotecnia levou à interrupção de 22 jogos nas duas competições do futebol profissional português, espelhando o impacto direto que a utilização de artefactos ilegais tem na normal realização dos encontros.

A Liga é a organização responsável pelo futebol profissional em Portugal, tutelando três competições — a I Liga, a II Liga e a Taça da Liga —, que contam com a participação de 36 equipas profissionais, metade delas no escalão máximo do futebol.

«O futebol deve ser vivido com paixão, mas também com responsabilidade. A pirotecnia ilegal coloca em risco pessoas, compromete o espetáculo e prejudica as Sociedades Desportivas», afirma Reinaldo Teixeira, presidente da Liga. «Apoiar a nossa equipa é respeitar a lei, promover o fair-play e contribuir para um ambiente seguro, familiar e inclusivo nos estádios», acrescenta ainda o dirigente.

Também para presidente da APCVD, Rodrigo Cavaleiro, «o desporto deve ser um espaço de celebração e união», cabendo «a todos garantir que essa paixão é vivida com responsabilidade e respeito pelas regras que protegem adeptos, jogadores, equipas de arbitragem e demais intervenientes».

A campanha será promovida em canais digitais, com a colaboração das Sociedades Desportivas, e apela ao compromisso coletivo, para que o futebol profissional seja «um espaço de paixão, emoção e festa, mas com segurança e respeito».