O presidente da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, reiterou este domingo que o processo de centralização dos direitos televisivos está a avançar com equilíbrio, consenso e abertura por parte dos clubes,  incluindo os três emblemas com maior peso no negócio.

Segundo o dirigente, a última cimeira da Liga, realizada na quinta-feira, confirmou uma união entre as sociedades desportivas.

«Foi marcante sentir os clubes focados em tudo fazer para conseguirmos a centralização. Perguntaram-me: ‘Há alguém que queira perder?’ Ninguém quer perder. Cabe à Liga tentar que o bolo seja o melhor possível, para que todos possam ganhar mais», começou por dizer à imprensa presente nas celebrações dos 115 anos do Nacional.

Reinaldo Teixeira sublinhou que os pilares que vão definir a futura chave de distribuição já foram aprovados numa primeira instância.

«A chave de distribuição, aqueles pilares que vão contribuir para ela, foi aprovada por unanimidade na Liga da Centralização. Agora é uma questão de ajustar alguns pormenores, e penso que vamos conseguir chegar a bom porto. O bom senso deve imperar na vida», referiu.

«É importante reconhecer o profissionalismo da alternativa concorrencial. Ao longo de sete meses tivemos quatro ou cinco reuniões muito produtivas e eficientes. Estamos convencidos de que vamos levar esta tarefa a bom porto», acrescentou o presidente da Liga.

Questionado sobre eventuais resistências dos clubes com maior poder negocial, Reinaldo Teixeira rejeitou a ideia de bloqueios.

«Os interesses instalados existem, naturalmente, mas sinto abertura dos três clubes que têm mais adeptos. Há vontade de seguir um caminho que permita chegar ao equilíbrio», afirmou.

Atualmente, segundo Reinaldo Teixeira, a diferença de receitas entre clubes pode chegar aos 12 ou 13 para um. A meta é reduzir gradualmente essa discrepância.

«A intenção é chegarmos aos cinco para um, mais ou menos. É um caminho que se irá fazendo. Há reconhecimento do peso dos três grandes no negócio, mas também a consciência de que é preciso dar mais espaço aos outros.»

Para Reinaldo Teixeira, o processo agora iniciado deverá aproximar Portugal dos modelos competitivos de outros países europeus.

«Temos uma Liga diferente das demais. A centralização não é o final, é o início de um caminho longo que nos levará a equilíbrios como acontece noutros países».

O dirigente garantiu ainda que, depois de fechada a chave de distribuição, o foco será alargar o mercado.

«Vamos trabalhar muito para conseguirmos ter mais compradores, para que os valores sejam superiores. Gostaríamos de ver todos os nossos portugueses, muitos na África do Sul, muitos na Venezuela, terem acesso às nossas competições profissionais. É nisso que eu vou trabalhar», concluiu.