Uma equipa jogou. A outra esperou o erro do adversário. E a que jogou, mesmo muito aquém dos níveis qualitativos elevados das últimas semanas, acabou por vencer.

O Sporting foi isso: não deslumbrou, deixou Amorim à beira de um ataque de nervos na reta final, mas fez por merecer os três pontos alcançado com (mais) um bis de Pedro Gonçalves e até pode sair da 8.ª jornada da Liga com a vantagem para os mais diretos perseguidores ampliada.

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Fortemente limitada por baixas, sem grande perfume futebolístico e argumentos ofensivos, os visitantes fizeram-se valer sobretudo do cheiro a suor. Para isso, César Peixoto socorreu-se de uma defesa a cinco apoiada por Fábio Pacheco. O número seis assumiu um posicionamento híbrido: terceiro central quando o Moreirense tinha de defender, novamente médio com bola.

Aos 3 minutos, o espelho daquilo que seriam os minhotos durante quase todo o jogo. Tendencialmente defensivos, mas à espreita do perigo nas raras transições ofensivas que lhes foram permitidas. Um desequilíbrio no corredor central abriu caminho para um contra-ataque que redundaria no autogolo de Luís Neto.

Os cónegos seguraram a vantagem apenas 5 minutos. Pasinato errou na abordagem a um cruzamento de Nuno Santos, Fábio Pacheco tentou emendar, mas não conseguiu evitar o empate de Pedro Gonçalves.

Com muita posse de bola, o Sporting carregou sobre o Moreirense e até à meia-hora e fez por justificar a vantagem num jogo que estava entretido. Coates saltou sozinho no coração da área mas falhou o alvo, Sporar acertou na barra a seguir e Nuno Santos também esteve perto.

A partir daí, e até já bem dentro da segunda parte, a equipa de Ruben Amorim aligeirou a pressão e mostrou uma faceta cinzenta. Nuno Mendes esteve muito aquém do esperado (saiu, sem surpresas, pouco depois dos 60 minutos), João Mário não teve a influência habitual e os defesas, sobretudo Feddal e Coates, mostraram-se erráticos com bola.

O Moreirense está longe de ser um tira o dedo do croquete desta Liga, mas, sejamos honestos, não fez grande coisa para ter um resultado diferente. Assentou a estratégia na organização e solidariedade, mas foi ultra-defensivo e faltou-lhe arrojo com bola, até em transições travadas sem necessidade quando a equipa da casa estava exposta.

E Pasinato, não isento de culpas no primeiro golo do Sporting, borrou a pintura quando não travou um remate defensável de Pedro Gonçalves aos 76 minutos, já depois de o homem-golo leonino ter visto a barra tirar-lhe um golo de antologia.

Mesmo sem deslumbrar e com a exibição mais cinzenta em largas semanas, o Sporting segue firme e forte na frente do campeonato. Até ver, são seis pontos de vantagem para aquele que é, nesta altura, o mais direto perseguidor.

Surpreendente? Talvez para profetas da desgraça, mas não para quem vê este leão de 2020/21 que, mesmo aos solavancos neste sábado, continua a elevar a fasquia.

Estas, como as outras, também valem três pontos.