Declarações do treinador do Rio Ave, Carlos Carvalhal, na sala de imprensa do Estádio do Rio Ave FC, após o empate ante o Famalicão (2-2), em jogo da 19.ª jornada da Liga. O técnico falou do «assédio aos jogadores» neste mercado de transferências de janeiro e respondeu, questionado por Taremi, associado nos últimos dias ao Sporting, que o Rio Ave, a manter os índices competitivos e de qualidade, vai ser massacrado «no sentido positivo» no fim da época, pelos jogadores que está a desenvolver:

[Sobre as mexidas no plantel e o interesse do Sporting em Taremi:] «Foram 24 horas muito difíceis. Difíceis para o treinador, porque há coisas que são públicas, outras não. Há assédio e, evidentemente que os jogadores, na maior parte, têm conhecimento e não é bom na preparação de um jogo importante. Mas isto é a lei do mercado, é a realidade, o mercado, quem o abriu, agora transforma isto num nightmare [pesadelo].»

«É instável, principalmente para um clube como o Rio Ave, que tem apostado em jogadores para tentar fazer vendas, para potenciá-los para que a sobrevivência do clube seja uma realidade. É tanto que o presidente, quando me contactou, a primeira preocupação dele foi mês de janeiro. Ironia do destino, o nosso janeiro foi excelente, três vitórias mais este empate. Toda a gente esteve focada. Os últimos dois dias do mercado, eu pensei que era só em Inglaterra: normalmente as negociações terminam e tudo mexe a duas horas do fim. Pensei que aqui era diferente, já não estava habituado. Felizmente o mercado fechou, conseguimos as aquisições que pretendíamos. Por este ou aquele motivo não saiu um ou outro jogador. Os jogadores estiveram focadíssimos, mas mexe sempre um bocadinho.»

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[Se foi importante Taremi não ter saído:] «Não sou nunca responsável em nenhum momento que o clube venda algum jogador. Coloquei-me uma vez na minha carreira e fiquei marcado por essa situação, se calhar não o deveria ter feito. Desde aí, as coisas são sempre da responsabilidade dos clubes. Sei é que a continuar assim, a equipa do Rio Ave, fruto do bom trabalho, não só ao nível de pontos como da qualidade, já consegue que alguns jogadores que não têm sido tão envolvidos na equipa principal, sejam emprestados a clubes da I Liga. É sintoma, em função da qualidade da equipa, que se olha para os jogadores do Rio Ave com valor elevado. Estou a referir-me ao Gabrielzinho [cedido ao Moreirense] e ao Ronan [ao Tondela]. Só acedi porque compreendo que querem jogar com regularidade e não sou eu que fecho uma porta aos que querem valorizar. O Joca, outro excelente jogador, que foi para o Leixões.»

«Se conseguimos, em equipa, manter o nível exibicional e pontual, não tenho dúvidas que no final da época vai ser um massacre no sentido positivo aos jogadores do Rio Ave. Temos aqui potencial, sabemos que estão a ser observados, portanto no final da época vão valorizar mais e se calhar clubes ainda melhores do que os que apareceram agora vão surgir, o que vai ser ótimo para o Rio Ave.»