Frederico Varandas, presidente do Sporting, qualificou o comportamento do FC Porto nos últimos cinco meses como «miserável», mas também apontou o dedo ao silêncio da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga de Clubes.

O presidente dos leões falou aos jornalistas à saída de uma reunião com a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, e com o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias.

«O tema foi muito para além do episódio que se passou no fim de semana no jogo de andebol. O Sporting entendeu que era importante falar com o topo da pirâmide sobre quem tutela o desporto porque desde novembro, estamos a falar em apenas cinco meses, houve vários acontecimentos que mancham o desporto, mancham a imagem do desporto nacional

«Foram vários os exemplos, mas uma das razões porque quis apurar ao topo a pirâmide, à senhora ministra e ao senhor secretário de Estado que abaixo têm presidentes de federação, presidentes de Liga, e, falando de futebol, o Sporting está tranquilo porque apoiou ambos os presidentes para as suas funções».

«Não podemos ter o objetivo de dar-nos bem com os três grandes, tem sido esta a cultura dos presidentes, mas também do passado, de nunca querer tocar nos grandes. Os acontecimentos que evoquei aqui, que no me entender são graves, obviamente o último é pior porque afeta a integridade física de pessoas, mas, sobretudo, estes cinco episódios parece que foram no setor do turismo. Estou a falar do caso do Fábio Veríssimo, do caso do roubo das bolas, do roubo das toalhas do guarda-redes Rui Silva, da colocação de umas colunas junto dos adeptos quando jogamos no Dragão e, por fim, este episódio no andebol»

«O que constatei, de novembro até hoje, é que houve um silêncio total. Até achei piada quando vinha para aqui. Parece que uma quezília entre Sporting e FC Porto. Não há quezília nenhuma. O Sporting não tem problema nenhum com nenhum outro clube. O que está a acontecer é que há um clube que tem um modo operandis nos últimos cinco meses, que tem uma forma de estar, uma atitude desportiva, não encontro outro adjetivo, sem ser miserável»

«Ninguém diz nada, o presidente da federação não diz nada, o presidente da Liga não diz nada. São pessoas sérias, sei que são, só que ter valores é também lutar contra práticas que interferem na ética, que interferem na integridade das competições».

«Não faz parte do futebol roubar as toalhas ao guarda-redes para ele não poder secar as mãos, não faz parte do futebol esconder as bolas, não faz parte do futebol por uma armadilha na televisão… Parte da comunicação põe a questão como se houvesse aqui uma disputa, com os dois clubes ao mesmo nível. Não, há um clube, que é o Sporting, que reage. Eu tenho de reagir. Quem me dera a mim não ter de intervir, não ter que falar. Mas se o presidente do Sporting não fala, fala quem?»

«Em Espanha temos presidentes da liga e da federação muito duros com Barcelonas e Reais Madrids. Aqui não, não se toca nos grandes. Finge- que não acontece nada e continuamos nisto. O que se passa foi demasiado grave. Já sabemos que foi tudo uma invenção, uma mentira. O treinador de andebol encenou, o Christian Moga também encenou. A delegada da federação, a senhora Rosa Pontes, também foi ao balneário e também teve de pedir assistência e foi também assistida na ambulância».