Vitória tranquila do Sporting sobre o Estoril, na noite desta sexta-feira, que permite aos leões manterem a pressão sobre o FC Porto que, para a semana, já depois do clássico para a Taça, vai ao Estádio da Luz. Os canarinhos apresentaram-se em Alvalade com uma estratégia que se revelou demasiado ousada e a equipa de Rui Borges agradeceu os espaços concedidos na primeira parte. O segundo tempo foi completamente diferente, os canarinhos obrigaram o leão a aplicar-se, mas Alvalade fechou o jogo em festa, com o regressado Nuno Santos a oferecer o terceiro golo a Daniel Bragança para um final feliz que até contou com Sydney Sweeney sobre o relvado.

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O jogo começou com o Estoril a atacar. A equipa de Ian Cathro subia com toda a gente, em bloco, e deixava muito espaço nas suas costas. Mesmo a defender, a equipa da linha de Cascais procurava definir uma fronteira à entrada da área, bem à frente da baliza de Joel Robles, e foi assim que surgiu o primeiro golo, logo aos seis minutos. Francisco Trincão, sobre a direita, cruzou largo para as costas da defesa canarinha, com Luis Suárez a invadir a área e a desviar a bola na cara de Joel Robles. Muito fácil.

O Estoril, no entanto, não hesitou nas suas convicções e manteve a mesma estratégia arriscada, como tal bloco demasiado subido e, dez minutos depois do primeiro golo, os leões voltaram a levantar Alvalade. Desta vez foi ainda mais simples. Morten Hjulmand chegou à última barreira do Estoril e picou a bola para mais uma entrada de Luis Suárez. O colombiano voltou a invadir a área, ajeitou a bola e marcou como quis.

Dois golos que permitiram a Luis Suárez, já com 22 golos na Liga, descolar de Pavlidis, na lista dos melhores marcadores, ficando agora, com 29 golos na temporada, muito perto da sua melhor temporada de sempre, alcançada na temporada anterior, ainda com a camisola do Almeria, com 31 golos.

Voltando ao jogo, o Sporting, com dois golos em dez minutos, tinha metade do trabalho feito, e passou a gerir o jogo com uma elevada posse de bola, procurando novas oportunidades para chegar à baliza de Joel Robles. O Estoril continuou a atacar com muita gente e até podia ter reduzido a diferença antes do intervalo, com um remate de Ricard Sánchez que obrigou Rui Silva a aplicar-se junto ao poste, mas a verdade é que os campeões estavam a jogar bem, com confiança e com algumas peças com rendimento elevado, como foi o caso de Morita. O japonês, que está em final de contrato, estava a brilhar a um nível elevado e chegou a arrancar aplausos das bancadas.

A verdade é que o intervalo chegou com um leão feliz e com um estádio, com mais de 46 mil adeptos, em delírio, depois de uma primeira parte com dois golos e um controlo quase absoluto da equipa de Rui Borges.No entanto, a segunda parte seria bem diferente.

Estoril cresce e leão só respira no fim

Uma segunda parte diferente porque Ian Cathro, com duas alterações ao intervalo, calibrou a sua equipa, mantendo a mesma ousadia ofensiva, mas agora bem mais equilibrada em termos defensivos, com Ricard Sánchez a derivar para a esquerda e com um meio-campo mais povoado, com as entradas de Tsoungui (meio-campo) e, sobretudo, de Pedro Carvalho (lado direito).

O Estoril continuava a atacar com muita gente, mas conseguia manter a bola por mais tempo na sua posse e não passava por tantos calafrios nas transições defensivas. O Sporting fechou-se bem a defender, mas, ao contrário da primeira parte, sentia cada vez mais dificuldades em sair a jogar. Depois de muitos sorrisos até ao intervalo, começavam a surgir dúvidas em Alvalade.

O Estoril foi acumulando oportunidades, umas atrás das outras, com destaque para uma investida de Rafik Guitane que, com um remate cruzado, obrigou Rui Silva à defesa da noite, com a ponta dos dedos. Mas havia mais. O Sporting não conseguia sair do sufoco e Begraoui também esteve muito perto de marcar. Rui Silva abriu os braços, Rui Borges também levantou-se do banco. Houve algo que se perdeu entre o final da primeira parte e o início da segunda e o treinador do Sporting procurou mudar o rumo dos acontecimentos também com duas alterações, prescindido de Morita [grande jogo do japonês] e Luís Guilherme para lançar João Simões e o reforço Souleymane Faye.

Parecia magia, mas o Sporting quase que marcou logo a seguir, num remate de Maxi Araújo, desviado in extremis por Tsoungui.

O Sporting melhorou e voltou a conseguir aproximar-se da baliza de Joel Robles, dando algum descanso a Rui Silva, numa altura em que as pilhas do Estoril começavam a dar sinais de desgaste.

Depois do sufoco imposto pelo Estoril, agora era o Sporting que voltava a reclamar as rédeas do jogo e a aproximar-se do terceiro golo que acabou por chegar, em cima do apito final, com Daniel Bragança a marcar com assistência de Nuno Santos.

Um final mais do que feliz em Alvalade com o contributo de dois jogadores que passaram por momentos muito complicados esta época e que entraram para colocar uma pedra sobre este jogo, até porque o apito final soou logo a seguir.

Missão cumprida. Segue-se um clássico com o FC Porto, na próxima terça-feira, aqui em Alvalade, relativo à primeira mão da meia-final da Taça de Portugal.

O final feliz em Alvalade: