Se olharmos para os orçamentos de Sporting e Nacional, podemos compará-los da seguinte forma – os leões são um porta-aviões e os madeirenses uma fragata. Porém, por maiores que sejam as diferenças, ambas as equipas estiveram em igualdade na maior parte do tempo, nesta noite de tempestade lisboeta.

Seja qual for a influência desse facto, julgamos ser oportuno apontá-lo – apenas uma das embarcações apresentou-se com o capitão, quando este devia ser o último a abandonar a tripulação. Morten Hjulmand ficou de fora por «motivos pessoais» e gerou incógnitas no universo leonino. Sem juízos de valor, o que é facto é que este Sporting joga melhor sempre que o dinamarquês orquestra o meio-campo, o que não aconteceu esta noite.

Diante de um Nacional personalizado e vestido de amarelo, vimos quase uma repetição do último duelo dos leões no campeonato. Foi uma vitória sofrida sobre o Arouca, por 2-1, com golo de Luis Suárez aos 90+6. Em Alvalade, a história repetiu-se. O Nacional dificultou a tarefa leonina mas o colombiano voltou a marcar nos descontos, mantendo acesa a luta pelo título com coração.

Ainda por cima, antes da visita ao Estádio do Dragão, na próxima jornada. As águas ficarão mais claras após essa batalha naval.

RECORDE AQUI O FILME DO JOGO.

Poucos minutos antes dos onzes serem divulgados, a comunicação social ficou a saber que Morten Hjulmand tinha ficado de fora do jogo por motivos pessoais. Quais? Eram incertos. A única certeza era que o Sporting tinha de jogar sem o contributo do capitão contra um Nacional traiçoeiro.

Face a esta ausência inesperada, ao castigo de Matheus Reis e aos vários problemas físicos que a equipa ainda enfrentava, Rui Borges apostou num meio-campo composto por Morita e Hidemasa Morita, com Pote a médio-ofensivo e Luis Guilherme a extremo-esquerdo. A dupla de centrais era Diomande e o capitão Quaresma. Já Tiago Margarido, treinador do Nacional, não mexeu na equipa que goleou o Rio Ave.

Após goleada na primeira volta, Nacional estudou a lição

A primeira parte teve um expectável ascendente leonino, em casa, mas sem podermos falar em domínio. O Nacional conseguia sair em transição (Chucho Ramírez ajudava nisso, atuando como referência) e os homens de Margarido protegiam bem o corredor central com um 5-4-1. Em momento atacante, Matheus Dias e os extremos subiam, formando um 4-3-3.

Ao Sporting restava atacar pelas laterais, com recurso a cruzamentos. Luis Guiherme foi afoito nisso, usando o seu poder de explosão para atacar a linha de fundo. Do outro lado, Fresneda também criava perigo. Já Pote andava vigiado, tal como Luis Suárez. Matheus Dias era quase uma ‘sombra’ do goleador colombiano e ainda fez várias interceções providenciais na grande área, face a cruzamentos.

As duas equipas beneficiaram de, pelo menos, uma grande chance de golo na primeira parte. Curiosamente, foi o Nacional a ameaçar primeiro. Numa perda de bola de Morita, os madeirenses ficaram numa situação de três para um na grande área. Paulinho Boia e Veron desperdiçaram a chance, com Catamo a cortar em cima da linha. Joel Silva, sozinho, ficou a reclamar.

Já do lado leonino, mesmo em cima do intervalo, o Sporting conseguiu pôr a bola nas costas da defesa do Nacional, com Catamo a libertar a bola para Luis Suárez, isolado na cara de Kaique. O colombiano optou pelo remate de primeira e Kaique fez uma defesa monstruosa, de reflexo. Mantinha-se o 0-0.

Decisões adiadas novamente para os descontos, com o mesmo protagonista

A chuva intensificou-se na segunda parte e, talvez por isso, o jogo ficou ainda mais frio. Poucas chances de golo, muitas divididas a meio-campo e um Nacional que impedia os ataques leoninos com uma muralha dentro da grande área defensiva.

Quando os madeirenses quiseram pôr ‘a cabeça de fora’, com uma transição ofensiva conduzida por José Gomes, não houve pernas para recuar. Rui Silva bateu um pontapé de baliza rápido e a bola chegou rapidamente à grande área contrária. Foi assim que o Sporting chegou ao golo.  

Pote contemporizou bem e assistiu Trincão, de forma altruísta, para o que parecia golo certo. Kaique negou o remate de Francisco com uma defesa espetacular, mas nada pôde fazer à recarga de Pote. No regresso aos relvados como titular, Pote voltou a ser feliz contra o adversário a quem tinha marcado um hat-trick na primeira volta.

O Nacional vingou-se da mesma forma – com uma transição rápida! Witi isolou Veron e o jogador dos quadros do FC Porto permitiu a defesa a Rui Silva. No entanto, surgiu o paraguaio Alan Nuñez sozinho, ao segundo poste, que só teve de encostar. Foi o seu primeiro golo profissional, aos 21 anos.

Mas o jogo não ficou por aí. Nos últimos dez minutos de jogo, Luis Suárez marcou duas vezes. Na primeira não contou, por um fora-de-jogo de oito centímetros após bela assistência de Trincão. No entanto, foi fiel a si mesmo - não baixou os braços e marcou no último minuto de compensação, aos 90+6m. E com uma finalização ainda mais bonita, de calcanhar! 

O Sporting mantém-se na corrida pelo título uma semana antes de visitar os invencíveis homens do FC Porto. Estão a quatro pontos da armada rival, que ainda não travou batalha nesta jornada. O campeonato continua vivo.