O Sporting bateu o Santa Clara nesta Sexta-feira Santa em Alvalade, por 4-2, num jogo que começou com um golo dos açorianos, logo a abrir, mas que depois contou com uma reação de gala da equipa «remendada» de Rui Borges, que virou o resultado para 3-1 antes do intervalo. Uma grande resposta dos leões que permitiu a Rui Borges, que já tinha revolucionado o onze, acentuar a gestão na segunda parte, mas a equipa de Petit ainda deixou Alvalade com o coração nas mãos, depois de Gonçalo Paciência ter reduzido a diferença já perto do final do jogo. Com os adeptos agarrados às cadeiras, foi mesmo Rafael Nel, o substituto de Luis Suárez, que acabou com todas as dúvidas, novamente com um golo no tempo de compensação.

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Estava escrito no guião deste jogo que Rafael Nel tinha que marcar um golo. O jovem avançado festejou esta sexta-feira 21 anos e, como prenda, recebeu a titularidade das mãos de Rui Borges e correspondeu com uma assistência para o golo da reviravolta e, a fechar o jogo, marcou o tal golo que permitiu aos adeptos respirar de alívio.

Rui Borges mexeu bem mais do que se esperava. A começar por Morten Hjulmand que, apesar de estar castigado para o primeiro jogo com os gunners, começou o jogo no banco, abrindo espaço para a entrada de Daniel Bragança. Além disso, o treinador edificou um novo quarteto defensivo, prescindindo de Fresneda (nem no banco), Maxi Araújo, Gonçalo Inácio e Diomande, para apostar em Vagiannidis, Debast, Quaresma e Ricardo Mangas. Lá na frente, no apoio ao jovem Nel, um trio de luxo, com Geny Catamo, Francisco Trincão e Pedro Gonçalves a jogar nas costas do aniversariante que, até esta noite, somava apenas 28 minutos na equipa principal.

Muitas mudanças que retiraram centímetros à equipa e, acima de tudo, automatismos, como ficou evidente, logo a abrir o jogo.  Num lançamento lateral da esquerda, de Guilherme Romão, a bola atravessou a área de Rui Silva sem ninguém lhe tocar, até chegar ao segundo poste onde Luís Fernando amorteceu para o remate imparável de Klismahn. Estavam apenas decorridos dois minutos de jogo e as bancadas de Alvalade gelaram subitamente, depois de um dia de praia. A verdade é que o Sporting não entrou bem no jogo. A equipa procurou reagir ao golo, com uma elevada posse de bola, mas, cada vez que perdia a bola, permitia transições rápidas ao confiante Santa Clara. A equipa de Petit chegou a Alvalade no melhor momento da temporada, depois de uma sequência de jogos, com três vitórias, sem um único golo consentido.

No entanto, aos poucos, as peças do Sporting foram encaixando, a equipa começou a ter melhor eficácia no passe, subiu no terreno e obrigou o Santa Clara a recuar em toda a linha. Uma subida no terreno, acompanhada por uma pressão crescente até Geny Catamo ser derrubado, na área, por Guilherme Romão. Um penálti indiscutível que permitiu a Pote, com classe, empatar o jogo. Um momento que deu ainda mais confiança aos campeões que, a partir daí, cresceram no jogo, com um futebol apoiado, jogado ao primeiro toque, a resultar em muitas oportunidades junto da baliza de Gabriel Batista.

O Sporting atacava entornado para a direita, onde Geny Catamo abria caminho com o apoio de Vagiannidis, mas a reviravolta surgiu no corredor central, numa das melhores jogadas da noite. Daniel Bragança arrancou com a bola nos pés, combinou com Pote, avançou mais uns metros, para depois combinar com Nel, já no interior da área, antes de rematar para a reviravolta. Um grande golo do médio que deixou Alvalade em ebulição. As bancadas ainda estavam a festejar o golo de Bragança, quando Trincão fez o 3-1, com um remate à meia-volta, depois de uma recuperação de Morita.

Três golos em vinte minutos a embalar o leão para a vitória, até porque o Santa Clara já não tinha a mesma disponibilidade, nem os espaços, para as transições que ensaiou no arranque da partida.

Santa Clara volta a assustar, mas era o dia de anos de Nel

Uma vantagem que permitiu a Rui Borges prosseguir a gestão do plantel na segunda parte, prescindindo, desde logo, de Pote, para lançar Maxi Araújo. O Sporting voltou a entrar hesitante na segunda parte e voltou a permitir algumas transições ao Santa Clara. Debast perdeu uma bola e permitiu uma arrancada de Gabriel Silva e, logo a seguir, um mau passe de Trincão também permitiu a Wellinton chegar à área de Rui Silva.

Com um ritmo bem mais baixo nesta segunda parte, Rui Borges continuou a gerir, lançando sucessivamente João Simões, Hjulmand e Souleymane Faye para a contenda e, pelo meio, Nel teve uma oportunidade soberana para marcar, a passe de Trincão, mas atirou ao lado.

A verdade é que o jogo estava, agora, demasiado mastigado. O Sporting parecia ter o controlo total do jogo, mas sem a intensidade que chegou a exibir no final da primeira parte. Foi neste quadro que o Santa Clara chegou a festejar um golo, com assinatura de Gonçalo Paciência, que viria a ser anulado, por falta sobre Faye.

Um lance que teve o condão de voltar a agitar o jogo, numa altura em que muitos adeptos já estavam a abandonar as bancadas. O jogo voltou a ganhar intensidade e Gonçalo Inácio voltou a marcar, aos 88 minutos, na sequência de uma jogada de insistência na área dos leões. O avançado saiu disparado a festejar na direção do quarto árbitro e Alvalade voltou a despertar para os minutos finais, com a placa a mostrar sete minutos de tempo extra, agora com o resultado totalmente em aberto.

O Santa Clara ainda chegou a ameaçar o empate, mas foi o Sporting que respirou de alívio, depois de Quaresma encontrar Nel destacado na área, para o segundo golo «made in Alcochete» do jogo.

Estava feito.