*Por Arménio Pereira
Carlos Vicens, treinador do Sp. Braga, em declarações na conferência de imprensa após a vitória frente ao Tondela por 1-0, na 18.ª jornada do Campeonato Nacional:
Emoções fortes no fim
«Sim, o jogo entrou num momento diferente. Dizia-o no flash interview. A equipa fez-me lembrar aqueles últimos 15 ou 20 minutos do jogo com o Rangers, na Liga Europa, esta época, em que a equipa também fica com menos um jogador e nunca desiste, continua a lutar, consegue o empate e, mesmo com menos um, depois de empatar em Glasgow, continua à procura da vitória, que acaba por não conseguir, mas da qual esteve perto. Hoje a equipa fez-me lembrar isso. Acho que houve um grande esforço coletivo. Creio que o jogo começou com a equipa a ir à procura do resultado, à procura da vitória, a tentar dominar, a tentar criar ocasiões, o que não foi fácil porque, quando chegávamos às zonas mais adiantadas do terreno, havia muita acumulação de jogadores. Ainda assim, surgiu uma ou outra oportunidade na primeira parte; tivemos uma ocasião muito clara num canto, essas segundas bolas que acabámos por não transformar em ocasiões, mas estivemos ali a controlar. É verdade que a segunda parte abre um pouco mais, também porque nós acabamos por nos expor um pouco mais. Começa a haver mais espaços e surge o infortúnio de sofrermos um penálti contra nós, com a expulsão. E aí aquilo que noutras vezes, ou recentemente, sentimos internamente que o futebol nos tinha tirado em determinados momentos, hoje deu-nos. Com essa boa defesa, obviamente do Lucas [Hornicek], e depois essa ambição da equipa em ir à procura do golo deu-nos o penálti que acabámos por marcar. Portanto, essa é a análise de um jogo que teve momentos diferentes. Torna-se um pouco mais caótico no final, mas acho que o espírito da equipa, a energia, o ir à procura do jogo, deu-nos a possibilidade de termos o penálti e de conseguirmos a vitória. Bom, penso que a equipa entrou para ganhar durante todo o jogo, ou seja, a equipa em momento algum especulou com o resultado. E creio que o facto de ficares com menos um jogador e, ainda assim, ires como foste para o ataque, gerando até oportunidades para estar perto do golo, com algum remate bloqueado, com alguma boa intervenção do Bernardo, essa energia que transmitiste hoje ao futebol, ao jogo, permitiu-te alcançar a vitória. Portanto, não diria que por uma margem muito grande, mas creio que a equipa mereceu a vitória.»
O que falta para o Sp. Braga ser consistente
«Bom, acho que o que faltou foi conseguir manter sempre um nível muito alto, o que não é fácil, ainda por cima dentro de um processo com um treinador novo, que trouxe ideias novas e que, desde o primeiro jogo, teve praticamente de disputar finais, porque eram eliminatórias de acesso à fase de grupos da Liga Europa. Depois, também com um calendário em que os primeiros jogos exigiam a conquista de pontos. Portanto, desde o início houve essa exigência que vai sempre existir no Braga, mas que fez com que a equipa quase não tivesse tempo para respirar. Dentro desse processo de crescimento, tiveste de competir sempre para ganhar e houve altos e baixos nesse percurso. Recentemente também, com jogos de grande exigência, em que a equipa esteve perto de ganhar e depois, por vezes, sofreu um duro golpe sob a forma de um empate ou de uma derrota, como na final. Tudo isto faz com que manter uma constância ao longo de toda a época não tenha sido fácil. Estamos à procura disso, estamos à procura de que agora a equipa se concentre nestas duas competições em que estamos e que tente aproximar-se mais dessa regularidade do melhor Braga que temos visto com mais frequência. E é para isso que trabalhamos todos os dias.»
Equipa do Tondela surpreendeu
«Creio que essa é mais uma pergunta para um treinador do Tondela, para o Cristiano [Bacci]. A mim, obviamente, a sensação que me deu foi que eles, sempre que havia uma situação de bola descoberta, podiam criar essa ameaça à qual tínhamos de estar muito atentos, o que nos obrigava a que os jogadores com bola estivessem sempre pressionados, para não terem tempo de levantar a cabeça e meter uma bola em profundidade. É um pouco a análise que te posso fazer, mas, como te dizia, é uma pergunta mais para o Tondela, porque certamente eles te poderão explicar melhor o que procuravam com essa alteração.»
Elogios ao Tondela
«É uma equipa em relação à qual sabes que tens de ter cuidado em oferecer muitas oportunidades de bola parada, porque pode penalizar-te, e é também uma equipa que sabes que tem ameaças pelos corredores e na profundidade, com a nova contratação do Aïko e com o Maranhão. Com este tipo de jogadores nunca podes estar tranquilo, porque mesmo que estejas a controlar o jogo, qualquer erro, qualquer tentativa de ataque que não resulte e em que não consigas a segunda bola na transição, torna-a numa equipa perigosa. Tínhamos falado muito sobre tentar controlar isso e acho que, na primeira parte, o fizemos bastante bem. Mas depois, quando o jogo se abriu mais na segunda parte, essas ameaças quase se tornaram realidade por várias vezes, mesmo sem gerarem muitas oportunidades claras de golo. Mas foi algo a que tivemos sempre de estar muito atentos. Portanto, o tipo de jogo em que a segunda parte se transformou não me surpreendeu, pelas armas que o Tondela tem.»