Texto: Arménio Pereira
Ivo Vieira, treinador do Tondela, na conferência de imprensa de rescaldo à derrota frente ao Vitória (1-0) para a 11.ª jornada da Liga:
Análise ao jogo
«Acho que fomos melhores, criámos melhores oportunidades, mas não conseguimos concretizar. O Vitória fez um golo, já ao cair do pano, e leva os três pontos para casa. Infelizmente, aquilo que os jogadores fizeram hoje, o que trabalharam, o que procuraram, mais uma vez de forma imerecida, aconteceu aquilo que foi o desfecho do jogo. Não é a questão de aceitar ou não, é de números. Nesse capítulo foram melhores na concretização e somaram os três pontos, infelizmente. Uma palavra para os jogadores pelo que foi o trabalho deles, o sacrifício, a qualidade a espaços que deram ao jogo, pelo que conseguiram criar em temos de oportunidades, mas a bola continua a não querer entrar, infelizmente.»
Faltou só a pontinha de sorte ou ainda há ajustes a fazer
«Há sempre aspetos a melhorar, agora, em termos de qualidade de jogo, a espaços, podia ser de uma forma mais consistente. Revejo-me num futebol de ataque, um futebol ofensivo, que possa fazer as pessoas gostar de virem ao estádio. Obviamente que não gostam dos resultados que têm acontecido. Infelizmente, nesse capítulo, estamos muito aquém, mas em relação àquilo que a equipa fez, a qualidade que deu ao jogo, às oportunidades que criou, revejo-me naquilo que os jogadores fizeram. Lutaram muito por isso, acreditaram mesmo numa fase menos boa. Consegui em termos mentais mexer com a cabeça deles e fazê-los perceber que eles têm capacidade, qualidade. Apenas não conseguiram o golo.»
«Criámos algumas situações em bolas diretas e segundas bolas, em jogo jogado controlámos minimamente contra uma boa equipa e, depois, ofensivamente criámos muitos problemas. O nosso meio-campo estava composto, criámos as oportunidades, mas obviamente não fizemos os golos.»
E perante tanta adversidade o que é possível dizer aos jogadores
«É difícil proferir estas palavras, num sentido, e é fácil noutro. Ninguém pode estar de parabéns quando não se ganha. E na fase em que estamos, valorizei acima de tudo a coragem, o comportamento deles, a qualidade que deram ao jogo, as oportunidades que criaram e reforcei a confiança que eles devem ter naquilo que podem fazer. Têm qualidade para fazer mais e melhor. Mas não posso estar aqui sempre a refugiar-me no que conseguimos produzir e depois não conseguimos concretizar.»
«Eles têm de continuar acreditar, a trabalhar, a lutar em prol do clube porque é para isso que eles cá estão.»
A ideia de aparecer sem uma referência ofensiva
«Não somos uma equipa que faça muitos jogos, não temos criado muitas oportunidades e tivemos ultimamente dificuldade em ligar a primeira à segunda fase de construção e à zona de finalização. A minha ideia era que a equipa tivesse mais capacidade de ter a bola, de levá-la em posse, até chegar ao último terço com situações de golo. Tivemos duas bolas no poste, uma na barra, mais um remate ou outro. A equipa cresceu a esse nível, algo que não estava a acontecer a jogar com um ponta de lança. Tinha de fazer algo no sentido que a equipa ganhasse mais estofo, confiança, mais liberdade naquilo que era o processo ofensivo. Foi isso que aconteceu, acrescentando um falso ponta de lança, na zona central. A espaços faltou uma referência no último terço, apareceram alguns médios, extremos, mas isso era num processo que tinha de estar mais cimentado.»
«Tivemos apenas quatro ou cinco dias para preparar esse momento, mas acho que os jogadores deram uma resposta eficaz. Só não conseguimos materializar em golos essas situações.»