Várias oportunidades, jogo diversas vezes partido com desequilíbrios de sobra e um ponto para cada lado no rescaldo. Vitória e Alverca empataram-se (1-1) no Estádio D. Afonso Henriques num embate que teve mais incidências do que o resultado deixa transparecer.

Os vimaranenses estiveram em vantagem, com um golo de Samu já na segunda metade, mas o Alverca empatou pouco depois. No último lance do encontro, doze minutos para lá dos noventa, Sandro Lima enviou a bola ao ferro na sequência de um pontapé de canto. 

A bola ainda rolava há poucos minutos no D. Afonso Henriques e já Charles era chamado a intervir de forma decisiva. Com uma entrada forte, o Alverca pôs o berço em sobressalto. Marezi deu o primeiro sinal, na passada, com o guarda-redes brasileiro a ter de se opor de forma destemida.

Arranque de jogo aberto, com vários momentos de finalização de parte a parte, muitos desequilíbrios e técnicos à beira de um ataque de nervos. Espécie de tempo técnico a meio do primeira parte, para afinar estratégias e evitar as oportunidades que estavam a ser concedidas em catadupa.

Apesar de equilibrar a contenda, tendo mais bola e criando alguns lances de perigo – equilibrando também nesse dado com o oponente – a realidade é que o conjunto de Luís Pinto esteve sempre num cenário de maior desconforto. Tentava subir no terreno, mas expunha-se ao desequilíbrio que o Alverca ameaçava aproveitar. 

AO MINUTO: as incidências do jogo

Apesar de ter sido menos intensa, a verdade é que a segunda teve o essencial: golos. E não foi preciso esperar muito. Num dos primeiros lances após o intervalo o Vitória adiantou-se no marcador por intermédio de Samu. Ndoye esboçou um remate à meia volta, a bola dividida ficou nos pés do médio, que de primeira atirou para o fundo das redes. 

Após o golo o embate passou pela sua pior fase. O Vitória tentou organizar-se, conseguiu-o, em parte, travando uma hipotética reação da equipa de Custódio. Foi a partir daí que Chiquinho sobressaiu no jogo. O extremo impôs o seu ritmo e provocou vários rasgos a partir da esquerda.

Foi precisamente de uma iniciativa individual do extremo que saiu o empate do Alverca. A meio do segundo tempo Chiquinho partiu os rins a Balieiro, ficando com espaço para servir Figueiredo, que se limitou a encostar ao segundo poste. O golo ainda foi analisado durante longos minutos, em causa uma hipotética intervenção no lance de Marezi, em posição irregular, mas foi validado.

Embate relançado para a reta final, mas sem que nenhuma equipa conseguisse sobrepor-se de forma cabal. O Alverca aproveitou a ansiedade da equipa da casa para controlar de forma tranquila. Manteve a bola longe da sua baliza e ainda colecionou pontapés de canto. No último atirou a bola ao ferro.

Ninguém conseguiu regressar aos triunfos. O Alverca soma o terceiro empate consecutivo, prolongando para sete a série de jogos sem vencer. Alternando derrotas fora de portas com triunfos em casa, o Vitória não conseguiu regressar aos triunfos, vendo os lugares europeus cada vez mais como uma miragem. 

A FIGURA: Chiquinho
Irreverente no corredor esquerdo do ataque do Alverca, o extremo foi o principal foco desequilibrador do conjunto ribatejano. Por vezes ameaçou perder-se em quezílias, mas nunca deixou de estar em jogo e fabricou o golo do empate. Bom trabalho individual a livrar-se de Balieiro para servir Figueiredo. Determinante para o ponto conquistado. 

O MOMENTO: golo de Figueiredo (66’) 
Lance ofensivo do Alverca, com Chiquinho a trabalhar a partir da esquerda. O extremo nem precisou da sua principal arma, a velocidade, para desequilibrar. Sentou Balieiro e fez o passe com as medidas certas para o segundo poste, servindo de bandeja o golo que Figueiredo confirmou. Ataque bem desenhado a escrever o resultado final no D. Afonso Henriques.