Quando falta o virtuosismo sobra a competência. O Sp. Braga bateu o V. Setúbal (2-1) com um bis de Dyego Sousa e mantém-se colado ao FC Porto no topo da classificação. Os Guerreiros não deslumbraram mas cumpriram e atiçam o duelo com os dragões do próximo fim-de-semana. Os bracarenses mantêm a invencibilidade ao fim de catorze jogos.

Num bom momento, os sadinos apresentaram-se na Pedreira numa série de três triunfos, mas foram demasiado calculistas e averbaram a oitava derrota consecutiva no recinto bracarense. O V. Setúbal até respondeu bem ao primeiro golo sofrido, mas só isso. Faltou qualidade no trato do esférico para mais.

Depois da goleada a meio da semana frente ao Nacional em jogo da Taça da Liga, Abel Ferreira deixou de fora nomes como Ricardo Horta, João Novais ou Wilson Eduardo, peças nucleares da equipa, e apostou nos mesmos dez elementos de campo que rubricaram uma exibição de luxo frente aos insulares. O regresso de Tiago Sá à baliza foi a única novidade de uma equipa que voltou a ter Dyego Sousa e Paulinho no ataque.

Bis de Dyego como aperitivo…

Manteve-se a equipa do Sp. Braga e manteve-se também o figurino. Primeiro minuto e já a barra adversária tremia. Valente pontapé de Fransérgio do meio da rua, Joel Pereira confiou no golpe de vista e viu a bola embater com estrondo no seu travessão. Pronúncio de mais uma noite de gala para a equipa de Abel, ainda que tal presságio não tenha tido seguimento.

Jogo lento e sem rasgos individuais, muito pausado por conveniência de um V. Setúbal que vinha de três triunfos. Lito Vidigal compactou a sua equipa e apostou na pujança de Mendy e Cádiz para fazer a diferença no ataque, mas a dupla foi sempre muito trapalhona.

Domínio natural dos arsenalistas, ainda que sem a intensidade exigida. Circulação lenta de bola, pouca criatividade a exigir o vigor de Dyego Sousa na área. O brasileiro deu uma cabeçada na monotonia adiantando os bracarenses no marcador aos dezasseis minutos, correspondendo da melhor forma a um cruzamento de Goiano. O atacante, líder da lista de marcadores da Liga, bisou anda na primeira metade, a cinco minutos do intervalo, com novo golpe de cabeça.

Pelo meio o tento sadino, num lance bem trabalhado a contrastar com o pouco labor do jogo da equipa de Setúbal, que viveu essencialmente de bolas longas para os seus homens mais adiantados. Éber Bessa lá contrariou isso e depois de tabelar no interior da área rematou certeiro com o pé direito.

… em ementa sem prato principal

Um bis de Dyego Sousa serviu de aperitivo na primeira metade, mas faltou prato principal ao encontro. Muito por culpa do V. Setúbal, que teve pouca capacidade de ter bola e de construir jogo perante um Sp. Braga a quem não era exigido mais no marcador, na medida em que a responsabilidade estava do lado da equipa setubalense.

Teve ligeiro ascendente no reatar do encontro o conjunto de Lito Vidigal, mas um ascendente natural de quem corre atrás do prejuízo e em grande parte com consentimento bracarense. Uma série de cruzamentos e lançamentos despejados diretamente na área sem qualquer consequência foi o máximo que o Setúbal conseguiu fazer, chegando o 2-1 da primeira parte para resolver a questão.

Três pontos para o invencível Sp. Braga, que não cede antes da espécie de clássico do norte do próximo fim-de-semana. Os Guerreiros marcam encontro com os dragões de peito feito em igualdade pontual na liderança da tabela, tendo o V. Setúbal apenas um obstáculo transponível nesta caminhada bracarense.