Os «Lugares Incomuns» do futebol internacional foram pela primeira vez até à Ásia. Na ressaca do Mundial de Clubes, as atenções viraram-se naturalmente para o Kashima Antlers do Japão e destacaram uma figura que até já passou por Portugal.

Na maior prova intercontinental de clubes, onde podemos ver os melhores «Lugares Incomuns» do ano a medir forças com o líder europeu, o Kashima foi o rei das surpresas. Numa competição em que nem todos os clubes entram na mesma ronda, conforme o continente de proveniência, os nipónicos entraram como campeões japoneses, beneficiando de uma vaga adicional para o país anfitrião e foram aqueles que arrancaram mais cedo, em conjunto com os neozelandeses de Auckland, tendo vencido por 2-1. Seguiu-se a vitória por 2-0 contra o Mamelodi da África do Sul e o imprevisível triunfo sobre o Atlético Nacional, da Colômbia, por 3-0. Presença justa na final que demonstrou toda a qualidade da equipa e das suas individualidades ao empurrarem o Real Madrid para prolongamento, antes de aparecer o super-Ronaldo (já tinha marcado, de penálti, o 2-2 do tempo regulamentar) a completar um hat-trick que selou o 4-2 final.

Um trajecto que trouxe Mu Kanazaki de volta à TV portuguesa. O médio/avançado esteve no Portimonense primeiro por empréstimo do Nuremberga e depois a título definitivo. Durante esse período apontou 19 golos em pouco mais de 50 jogos e teve tempo para aprender a falar português.

 

A sua ligação com o golo nem sempre foi a mesma. Na génese está a indefinição da sua posição (como ponto de partida) em campo. Começou a carreira no Oita Trinita, no seu país de nascimento, como extremo esquerdo. Não sendo um jogador supersónico, é rápido, mas a capacidade de mudança súbita de velocidade foi mesmo o melhor que retirou desses tempos de aprendizagem. Seguiu-se o Nagoya Grampus, também do Japão, onde finalmente começou a pisar outros terrenos mais centrais e recuados enquanto médio ofensivo.

É, no entanto, na sua chegada aos alemães do Nuremberga e na passagem pelos algarvios do Portimonense que se vê trabalhado naquela que será a sua posição mais forte: a de avançado centro. O futebol europeu aproveitou a sua melhor característica, o jogo de cabeça, na facilidade que tem em finalizar e em ganhar lances aéreos sobre os centrais de maior estatura (tem apenas 1.80m) para desmarcar o parceiro de ataque, assim como de ser útil a dar apoios frontais.

Aos 27 anos terá conseguido atingir finalmente o pico da sua maturação enquanto jogador. No Kashima tornou-se um atleta super completo em relação ao que faz em campo, para além do que já tinha de forma natural como o facto de jogar com a mesma qualidade com os dois pés, elevando-se ao nível de internacional japonês e deixando curiosidade em relação a que tipo de patamar ainda pode atingir se regressar à Europa.

Com o pecúlio de 30 golos em 75 jogos pelos vice-campeões do Mundial de Clubes, Kanazaki  joga agora declaradamente como avançado centro ao lado de outro avançado centro exactamente com as mesmas tarefas, tendo liberdade para recuar até ao meio campo para usufruir do seu remate de média/longa distância e também de mover-se para a faixa e aproveitar a sua agilidade e técnica individual.