«Com o novo modelo de licenciamento vai ser cada vez mais difícil a participação em competições europeias. É esse modelo que temos de transportar para a realidade nacional, com alguma tolerância, um modelo em que os clubes saibam que têm de cumprir com os orçamentos que têm», declarou Madail à Lusa.

Segundo o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, dois dos oito clubes portugueses que se inscreveram nas competições europeias não foram aceites porque não cumpriam as regras financeiras. E, defende Madail, esse é o caminho que deveria ser seguido em Portugal.

«As alterações dos regulamentos de competições da Liga passam pela aprovação dos próprios clubes, esse é o problema que tem existido até agora. Mas, com a alteração do regime jurídico e com os novos estatutos, o executivo federativo poderá colocar em prática determinado tipo de medidas que poderão ter efeito.»

O Estado pode ajudar, mas não é o salvador. «Faz aquilo que pode, mas não tem capacidade de intervenção directa. Há situações transversais ao país e não só ao futebol. Vamos ver com que meios e de que formas vamos encarar esses problemas», afirmou o dirigente.

Madail e o Estrela da Amadora

O Estrela da Amadora é o clube publicamente mais afectado pela falta de salários e o seu presidente fez há pouco tempo uma analogia com o Euromilhões, caso a equipa se apurasse para as meias-finais da Taça. Madail entende a comparação.

«Com a participação nas meias-finais a duas mãos, o Estrela tinha uma possibilidade de obter mais receita, é evidente. Este ano pela primeira vez há um total de 3,3 milhões de euros de prémios». O presidente da Federação avisou, contudo, que devido às dívidas da equipa da Reboleira, a lotaria pode nem ser assim tão grande. «Provavelmente o clube estaria a contar com isso, mas há que contar com outras coisas, por vezes os clubes podem não receber».