João Cancelo recordou a morte da mãe, a 5 de janeiro de 2013, quando tinha 18 anos. O internacional português saiu ferido do acidente de viação que vitimou Filomena Cancelo. Em entrevista ao Canal 11, o lateral recordou uma fase muito sensível da juventude.
Uma saudade infinita
«Continuo com um vazio. A minha mãe era saudável, foi um choque. A vida tremeu toda. Num segundo tudo desabou. Obrigou-me a ser líder de família aos 18 anos, não estava preparado. O meu pai estava com depressão e na Suíça, o meu irmão tinha 8 anos. Já ganhava o meu dinheiro e tinha contrato profissional com o Benfica, mas não era suficiente para nos sustentar. Todo o meu dinheiro entrava na conta da minha mãe. Ela dava-me o necessário para a escola e para comprar roupa. Era muito mais próximo da minha mãe, ainda que o meu pai seja um pilar. Foi ele que me ensinou a jogar futebol. Mas o amor de mãe não se substitui. Senti muita falta da minha mãe em situações complicadas, quando até estive em caminhos apertados.»
«Comecei a fazer fisioterapia e regressei. O futebol não me salvou a vida, mas ajudou muito. Sempre quis ser futebolista. Se não jogar vou fazer o quê? Não sei fazer mais nada, vou acabar nas ruas. Não queria isso. Sou viciado por futebol e sei que a minha mãe não quereria que eu deixasse este caminho. Talvez seja o único na família com a possibilidade de ter uma vida boa.»
«O impacto de um contrato profissional é brutal pelo dinheiro que cai na conta. O meu único vício é o futebol. Senti que podia chegar ao topo, deixei a escola quando assinei o primeiro contrato profissional. Mas não aconselho que os jovens o façam, devem terminar a escola.»
Regressos a Portugal
«Quando lá vou há jogos com os amigos, depois vou almoçar, nem vou a casa.»
«Antes de vir para Barcelona, em vez ver a Supertaça de Espanha fui ao Barreirense-Olímpico Montijo. Perdemos. O Barreirense não está bem financeiramente. A academia está boa, mas o estádio para os seniores precisa de obras. Tenho pena. O antigo estádio agora é um fórum. Quando foi demolido, se eu tivesse este dinheiro, não permitiria. Ainda vou dar uma perninha ao Barreirense, aos 40 anos.»