Abel Ferreira calou os críticos com a vitória do Palmeiras na última madrugada, na visita ao Flamengo (3-0). O técnico português foi muito contestado pelos adeptos após três empates consecutivos no Brasileirão e as críticas subiram de tom após a derrota com o Cerro Porteño, na Libertadores.
Já depois da vitória no Maracanã, Abel garantiu que a equipa tem de se agarrar à «resiliência» para ultrapassar estes momentos.
«Esta liga é muito competitiva, sabemos que vários resultados podem acontecer, cada jogo é uma história diferente. Preparámos bem este jogo, mesmo com esse contexto. Agradeço pela confiança dos nossos jogadores, acreditam naquilo que é o trabalho mesmo em momentos difíceis, porque sabem que a equipa já ganhou um título e está a disputar mais três, sabe que durante uma época competitiva terá altos e baixos e tem de se manter resiliente», disse o técnico português, em conferência de imprensa.
«Quando o Palmeiras não ganha existe cobrança e, quando isso acontece, ligamos o modo resiliência. É algo que tenho comigo e dá para ver nesta equipa. Foi uma vitória justa, claro que quando o adversário tem um jogador a menos, uma expulsão justíssima, como poderia ter acontecido na final da Libertadores, não me canso de dizer disso, pois foi um lance exatamente igual... Mas foi uma vitória justa, num campo difícil, com excelentes jogadores, excelente treinador, com um público que puxou a equipa do início ao fim, uma atmosfera muito vibrante todo o jogo, não só pela qualidade da equipa, mas pela vibração do estádio. Os nossos que vieram, mesmo em minoria, mesmo poucos, super ruidosos», acrescentou.
Abel garantiu que sente «carinho e admiração» por parte de adeptos e apelou a que apoiem a equipa. O treinador português dedicou ainda a vitória à presidente Leila Pereira e a uma das filhas.
«Gostaria de dedicar esta vitória a duas mulheres. A primeira é nossa presidente, agradecer por toda a tranquilidade que passa ao plantel e treinador. Talvez seja o ser humano com mais coragem que conheço, é bom trabalhar com pessoas assim, que confiam num trabalho de continuidade, com processos, que ela mesma diz que sabe que não vai ganhar sempre, mas sabe o que fizemos dentro do CT.»
«E a outra é a minha filha Maria Inês, que não está comigo há um ano. Várias vezes fiquei longe dela por não poder estar nos anos dela, prometo-lhe que em breve estaremos juntos, é um processo do pai, fica tranquila. Espero que tenhas aproveitado o dia de hoje.»
Apesar de estar confiante no futuro, Abel admitiu que o fim enquanto treinador do Palmeiras está mais perto. «Entendo, porque faz parte, que quando as coisas não correm bem existam contestações. Lembro que há três meses estávamos abraçados a comemorar um título. O Guardiola teve 10 anos no City e ganhou 20 títulos, tudo tem um ciclo, mas quanto mais tempo estou aqui mais perto estou do fim, não sei quanto tempo vai durar.»
«Sou grato por ser treinador do Palmeiras, grato por treinar estes jogadores. Sabemos que no Palmeiras, quando não ganhamos, elevam-se as expectativas, assim é que tem de ser. Mas já disse que, quando eu for o problema, serei o primeiro a ir embora.»
O técnico do Palmeiras salientou também a importância de Jorge Jesus para abrir portas aos portugueses no Brasil e deixou elogios a Leonardo Jardim.
«Aprendi muito com Leonardo Jardim. Pouca gente sabe, mas no primeiro mês de trabalho eu era adjunto dele, de manhã treinava com ele, à tarde com a equipa B. Nós lembramo-nos do Dier, Mané, João Mário, que estavam na equipa B, depois subimos para a equipa de cima, fizemos uma campanha excelente e ele foi para o Mónaco. É um rival, mas tenho carinho e respeito por ele», concluiu.