De regresso a Portugal, Gonçalo Rodrigues – ou Guga – estuda o próximo passo na carreira e admite regressar à Liga, onde já vestiu as cores de Famalicão e Rio Ave. Em entrevista ao Maisfutebol, o algarvio de 28 anos – formado no Benfica – sublinhou a importância da psicologia no desporto e abordou o desafio de «aprender a ser pai» em Pequim.

No rescaldo às duas épocas no Beijing Guoan, o médio ajudou à conquista da Taça da China em dezembro, o expoente de 65 jogos, dez golos e nove assistências.

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Maisfutebol: A carreira do Guga fica marcada por lesões numa fase precoce, além de transferências para os “grandes” que não se consumaram. Como lida com as expectativas?

Guga: Não é fácil, surgem logo na infância. Investimos muito da infância e adolescência no futebol. As decisões e o caminho também influenciam a nossa família. Por isso, os meus 28 anos contam com muitas histórias e vivências. A vertente psicológica tem de ser muito forte para lidar com incertezas e dificuldades.

MF: A psicologia ainda é tabu no desporto?

Guga: Para mim não. Presto atenção e sou acompanhado. O atleta vai além das capacidades físicas e técnicas. Se a parte mental não estiver bem, o resto não vai aparecer. Um jogador feliz joga sempre melhor. E sou um jogador feliz. Houve contratempos e dissabores, mas tenho sido feliz dentro e fora de campo.

MF: Nestas semanas em Portugal conseguiu visitar a Luz ou Vila do Conde?

Guga: Depois de uma época exigente gosto de me desligar. Vi alguns jogos pela televisão. Na China era difícil acompanhar devido à diferença horária.

MF: Para lá do Guga e do futebol, quem é o Gonçalo?

Guga: Não há uma modalidade a que dedique muito tempo, prefiro ver uma série ou um filme. Gosto de passear com a família e reunir os amigos em volta da mesa. Gosto de passear, estar na praia, ver o pôr do sol e beber café. Coisas simples da vida.

MF: E se não fosse jogador de futebol?

Guga: É uma boa pergunta. Talvez fosse empresário ou diretor desportivo. Também gosto do ramo imobiliário, mas é algo a pensar no futuro.

MF: Já se sente um pai treinado, ou ainda em adaptação?

Guga: Estar tão longe de Portugal obrigou-nos a aprender mais rápido. Tivemos de nos fazer à vida. Já estou adaptado. Tivemos de aprender a ser pais sozinhos, o que nos obriga a crescer mais rápido.