João Cancelo, lateral do Barcelona e da Seleção Nacional, em declarações ao programa «Soltinhos pelo Mundo» do Canal 11. O português comentou sobre o reencontro com Jorge Jesus e abriu o livro sobre a polémica saída do Manchester City, originada por uma discussão com Pep Guardiola.
Reencontro com Jorge Jesus
«Foi muito especial. A decisão de eu ter ido para o Al Hilal partiu muito dele. O Al Hilal tinha outra ideia e ele disse que só me queria a mim. E isso a mim cativa. Havia jogadores no balneário do City que já me tentavam convencer a ficar. (Jorge Jesus) Não me ligou muitas vezes, mas as vezes que ligou foram muito decisivas. Ele está praticamente igual, só que há coisas para as quais ele já não tem tanta paciência. A vontade que ele tem de com 70 anos viver o futebol da maneira que ele vive... Jorge Jesus é dos melhores treinadores que eu tive na minha carreira. Quem o conhece... eu o conheço bem, conheço-o muito bem mesmo. Ele adora-me e eu adoro-o. Posso dizer que ele tem um coração de ouro.»
Decisões na carreira
«O que eu sinto é que, às vezes pela minha personalidade, poderia ter-me mantido mais tempo num clube. No City ou na Juventus. Pela minha irreverência, às vezes sem razão. Muitas vezes sem razão. Hoje consigo admitir isso, por conta da maturidade que hoje tenho. Mas estou muito orgulhoso daquilo que fiz e sinto-me realizado.»
Discussão com Guardiola e saída do City
«Vim do Mundial e eu e o míster (Guardiola) tivemos uma discussão e ele não me queria mais lá. Eu decidi sair para o Bayern Munique e até hoje não me arrependo. As pessoas, às vezes, pintam é que foi uma coisa gravíssima. Não foi. Ele disse: ‘olha, João, não estou satisfeito com o que estás a fazer nos treinos e eu quero que te vás embora’. Achei muito injusto e ainda hoje acho. Mas ele é o treinador, ele é que manda. E eu segui o meu caminho. Fica um nó pelo simples facto de eu sentir que era muito importante e a equipa também saber que eu era importante para eles. É uma pessoa por quem eu tenho muita admiração, porque para mim é um génio. É o melhor treinador que eu tive na minha carreira. E por me ter feito chegar ao maior nível a que eu poderia ter chegado. Ou seja, ele tirou o sumo todo que eu tinha. Eu ia para o campo e já sabia que eu ia fazer um grande jogo.»