Vitinha abriu o livro numa longa entrevista ao programa «Soltinhos pelo Mundo», do Canal 11, onde abordou o futuro, o percurso no PSG, a Bola de Ouro e até as suas limitações físicas. Depois de viver uma das melhores épocas ao serviço dos parisienses, o médio internacional português foi claro ao afastar uma eventual saída para o Real Madrid.

«Acho que não é o melhor para mim neste momento. Sinto-me super bem aqui no PSG. Sinto que as pessoas daqui gostam muito de mim e sinto que consegui merecer esse carinho. Eu adoro estar aqui, a minha família também. Temos um grupo fantástico e um treinador incrível. Seria estúpido se mudasse», afirmou.

Questionado sobre uma possível mudança para a liga saudita, o médio reconheceu a dimensão financeira das propostas, mas garantiu que não seria mais feliz.

«Não podemos ser ingénuos. São realmente dinheiros importantes que te podem deixar bem para toda a vida. Mas acho que não ligo tanto às coisas que o dinheiro dá. Ligo mais a ter uma carreira de uma certa maneira. Já ganho muito bem aqui na Europa, num clube enorme. Dobrar ou triplicar isso não iria aumentar a minha felicidade», explicou.

O primeiro ano em Paris

Na conversa, o antigo jogador do FC Porto recordou também o primeiro ano no PSG, admitindo que a adaptação não foi simples e que a época acabou por ficar aquém das expectativas.

«Até novembro ou dezembro, antes do Mundial, as coisas estavam a correr muito bem. A equipa estava a voar e eu sentia-me bem. Depois do Mundial no Qatar as coisas começaram lentamente a cair e acabámos a época mal», recordou.

«Era o meu primeiro ano internacional. Em Wolverhampton joguei pouco e pouca gente me conhecia. No FC Porto senti que tinha cumprido aquilo que queria ser como jogador. Depois chego ao primeiro grande ano fora e a primeira imagem não foi convincente», disse ainda o jogador de 26 anos.

Compensar limitações físicas

Vitinha explicou ainda como teve de adaptar o seu jogo para sobreviver ao futebol moderno depois de reconhecer que não era «alto, nem forte nem rápido».

«Tive de antecipar outras coisas, posicionar-me de outra forma, ver antes de receber. Posso não ir ao contacto, mas não posso não valer para nada», considerou o médio falando de uma «evolução natural», comparada de forma curiosa.

«As girafas têm o pescoço longo para chegar às folhas mais altas. Foi uma evolução para conseguir lá chegar», atirou entre risos.

Pódio na Bola de Ouro

A época mais recente acabou, no entanto, por confirmar a afirmação do internacional português no futebol europeu, culminando com um lugar no pódio da Ballon d'Or, distinção que foi conquistada pelo colega de equipa Ousmane Dembélé. Vitinha garante que nunca teve dúvidas sobre a justiça do vencedor.

«Quando disse que o Dembélé era o justo vencedor não era conversa de 'chacha'. Foi a nossa referência e o nosso líder dentro de campo. Foi decisivo nos momentos importantes e merecia ganhar», começou por dizer.

O médio destacou ainda o impacto de Lamine Yamal e de Raphinha ao longo da temporada, elogiando a qualidade exibida por ambos. Apesar do reconhecimento individual, Vitinha diz que tentou sempre manter as expectativas controladas.

«Sabia que podia ficar num bom lugar, mas nunca criei demasiadas expectativas. Se ficasse fora do top 3 também não me iam ver triste. Mas claro que acabar no pódio foi especial», afirmou.

«Sei que estou entre os melhores»

Confrontado com a possibilidade de se considerar o melhor médio do mundo, o internacional português preferiu uma resposta mais cautelosa, embora reconheça o nível que atingiu.

«Não gosto de dizer que sou o melhor. Parece arrogante, porque isso acaba por ser sempre uma opinião. Mas sei que estou nesse lote», atirou.

Quando desafiado a apontar os médios que mais aprecia, Vitinha colocou Pedri no topo das preferências e destacou ainda dois compatriotas.

«Pedri? É mágico. É espetacular vê-lo jogar. Quando jogas contra ele percebes ainda melhor. [...] Depois, ali no top 3, pesa-me aqui um bocadinho. Os dois é difícil. Eu ponho o João [Neves] e o Bruno [Fernandes]. Os dois ali comigo e com o Pedri. Portanto, eu não faço um top 3, faço um top 4. Podemos jogar a 4», concluiu, entre risos.