O Manchester United visita o Manchester City no domingo, naquele que será o primeiro dérbi de Ruben Amorim à frente dos «red devils». O técnico português recordou a goleada que aplicou aos «citizens» quando ainda estava no Sporting, há pouco mais de um mês.

«Foi um jogo específico, que mudou na segunda parte. O que podemos retirar daí é que vimos a equipa do Manchester City de perto e podes entender os seus movimentos, a forma como falam uns com os outros… isso ajuda-nos a entender melhor como é o jogo deles. Na primeira parte, eles foram muito bons, empurraram-nos para trás. Mas, numa transição, empatámos e, na segunda parte, com duas jogadas em dois minutos, mudámos o jogo. Foi um jogo diferente e acho que não podemos usar muito daí», começou por dizer Amorim, numa entrevista à Sky Sports.

«Eles são uma equipa muito forte, trabalham juntos há muito tempo, ganharam muito e também perderam muito na Liga dos Campeões. Mas eles são tão bons no que fazem que podem inverter este momento em qualquer altura. Nós temos um problema maior, porque ainda estamos a trabalhar em pequenas coisas, mas queremos ganhar como o Manchester City. Ambas as equipas não estão a viver o melhor momento da época, mas é sempre um dérbi e queremos vencer», acrescentou.

Amorim foi ainda questionado sobre a forma como vivia os dérbis entre Benfica e Sporting, isto por ter crescido na formação dos encarnados e, mais tarde, alinhado na equipa principal.

«Em Lisboa, é um caso estranho, porque cresci como adepto do Benfica e depois fui para o Sporting. Nunca imaginas isso quando és criança. É como ter dois amores agora. Foi uma situação estranha. Aqui, só olho para o Manchester United e temos muita coisa para fazer. Estamos a pensar não só no jogo, mas também na forma como jogamos, quero ver o comportamento dos nossos jogadores nestes jogos, para aprender muito sobre eles. Mas quando olhas para a paixão e para a forma como as pessoas vivem o dérbi, é igual», confessou.

O treinador português também projetou o futuro da relação com Hugo Viana, que na próxima época será diretor desportivo do Manchester City.

«Fica no relvado. É impossível ser rival do Hugo Viana fora do campo, porque ele foi muito importante na minha vida. Ele foi um dos responsáveis por eu estar aqui no Manchester United. Apoiou-me em momentos muito difíceis no Sporting. Será divertido, mas ele sabe que quero vencer. Não vai falar comigo antes, durante nem depois do jogo, mas no dia seguinte seremos amigos como sempre», assegurou.

Amorim assumiu que tem sido «muito direto» com os jogadores para não «complicar», mas assumiu que tem «um grande trabalho» pela frente e que «vai levar tempo».

«Mais do que eu, como treinador, o clube precisa de tempo e todos têm de perceber isso. Temos de nos focar em todos os detalhes, não só nos resultados. Temos de melhorar muito em tudo», frisou.

«Em Portugal, os jogadores estão numa liga fora do top-5 e os jogadores querem todos jogar nas melhores ligas. Têm todos dentro deles algo diferente do que temos aqui. Aqui, é um dos melhores clubes do mundo e a gestão é completamente diferente. Tens de te adaptar, sem perderes o teu jeito», concluiu.