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Marco Aurélio (ex-Sporting): «Infelizmente Benfica será campeão»

«É verdade que já não podia ver azul e branco à frente. Em cinco anos que estive no Sporting, eles ganharam sempre o campeonato. Não guardo mesmo boas recordações do F.C. Porto», brincou Marco Aurélio, para, logo depois, se debruçar sobre os problemas da equipa. «Falharam muitas coisas. O Sporting agora tem uma organização maior, é um clube que está cotado em bolsa, tem uma organização diferente da minha época, mas a culpa não foi só disso. Passa pela direcção, mas também pelos jogadores. Foi o todo que falhou», reconhece.

O que precisava o Sporting para ser campeão? Porventura que Marco Aurélio deixasse o clube, uma vez que, no ano seguinte da sua transferência para o Vicenza, de Itália, os leões quebraram um jejum de 18 anos sem vencer o campeonato. «Se calhar fui um bocado pé frio. Mas fiquei contente pelos meus colegas. O Pedro [Barbosa] que ficou com a braçadeira, por exemplo e pelos outros também», lembra.

Aventura em Itália durou mais 6 anos que o previsto

Ao todo passou nove temporadas a jogar no futebol português. Só por uma vez, em 1992/93, não alinhou no principal escalão, mas, ainda assim, essa é uma época para lembrar, pois foi a mais produtiva da carreira do defesa central, no que a golos diz respeito. No total, foram oito. Em cinco anos no Sporting, só fez três. Perdeu-lhe o jeito? «Não, nada disso. Em terra de cegos, quem tem um olho é rei. No União da Madeira era eu que cobrava os livres e quando cheguei ao Sporting o Figo batia do lado esquerdo e o Balakov do lado direito. Não sobrava nada para mim. Se calhar deveria ter sido mais ousado naquele período e tentar, também eu, marcar algumas faltas. Mas deixava para eles porque já se conhecia a sua categoria», recorda.

Em 1998/99, entrou em rota de colisão com Mirko Jozic, técnico dos leões, o que o levou a cometer um dos erros da carreira: «Na altura dei uma entrevista onde falei o que achava sobre o treinador o Jozic. Não deveria ter dito nada. Se pudesse voltar atrás riscava essa entrevista da minha carreira. Agora, passados tantos anos, vejo que isso não me fez ganhar nada, só perdi. Perdi um amigo e se calhar ganhei um inimigo. Foi a primeira e última vez que fiz algo desse género.»

A experiência em Itália foi, também ela, positiva. Tanto que se estendeu mais que o previsto. «O Vicenza queria que assinasse um contrato mais longo, mas eu disse que ficava dois anos e voltava a Portugal. Acabei por ficar oito anos em Itália e não me arrependo», assegura.