Depois da eliminação com o Chelsea o jogo dos Barreiros assinalou o regresso do F.C. Porto ao figurino habitual, com três homens na frente. Diante de um Marítimo em mau momento (apenas uma vitória nos sete jogos de 2007), Jesualdo Ferreira correu mesmo o risco relativo de deixar no banco Raul Meireles e Lisandro, em perigo de suspensão caso vissem um amarelo. Paulo Assunção, também «à bica», foi o único titular nessas condições, com instruções precisas para prudência nos lances divididos. A surpresa da primeira titularidade do colombiano Rentería foi compensada com a inclusão de Ibson, que dava idênticas garantias de consistência e qualidade na posse de bola.

Mas depois de cinco minutos incaracterísticos e mal jogados (não seriam os únicos, infelizmente), Jesualdo teve de alterar os planos, por força da lesão de Ibson, uma entorse no joelho que deixou o jogador em lágrimas. A sua saída e a entrada de Raul Meireles, aos 12 minutos, acabou por ser, na perspectiva do técnico, um mal que veio por bem: Raul Meireles assumiu bem o comando do meio-campo, a equipa não abanou, e colocou-se muito cedo em vantagem, com Adriano a concluir de cabeça (17 m) um canto de Quaresma prolongado ao segundo poste por Bruno Alves.

Era o factor de tranquilidade de que o F.C. Porto mais necessitava. Com o Marítimo a delegar em Marcinho e Douglas toda a construção ofensiva, o líder do campeonato assumiu o comando do meio-campo e deu a decisiva machadada no jogo aos 27 minutos, com uma recuperação de Raul Meireles a meio-campo a apanhar o Marítimo desprevenido. Após boa tabelinha com Rentería, o remate do médio portista bateu nas pernas de Milton do Ó e enganou Marcos. Faltava mais de uma hora para jogar e o encontro parecia resolvido. A menos que o Marítimo mudasse radicalmente.

Já depois de nova substituição forçada no F.C. Porto (saída de Bruno Alves por lesão muscular, aos 35 minutos) o Marítimo deu sinais tímidos de um despertar, que no entanto a defesa do F.C. Porto controlou até ao intervalo.

Para a segunda parte, o filme estava visto com antecedência: pouco ou nada havia a esperar de um F.C. Porto que tinha o jogo sob controlo e podia dar-se ao luxo de abdicar da bola, limitando-se a adaptar-se às exigências colocadas pelo adversário. As entradas de Lipatin e Mbesuma acentuaram o número de pernas nas imediações da área portista, mas frente a um Marítimo com três defesas era o F.C. Porto a dispor de mais espaços para contra-atacar. Espaços que raramente quis aproveitar, embora Quaresma ainda obrigasse Marcos a três intervenções difíceis.

O jogo transformava-se num longo bocejo, com o único sintoma de intranquilidade a vir da chuva de cantos ganha pelo Marítimo, que aos poucos começou a fazer mossa na defesa portista. A cinco minutos do fim, ao décimo canto, Helton falhou a saída e largou a bola. O primeiro remate de Lipatin foi salvo por Paulo Assunção, mas a recarga de Douglas entrou mesmo, e obrigou o F.C. Porto a sofrer mais nos minutos finais do que o decorrer do jogo faria prenunciar.

No entanto, quando, depois de mais de 50 faltas e incontáveis paragens, João Ferreira deu o jogo por terminado, o desfecho era o único possível para um jogo que o F.C. Porto ganhou demasiado cedo e complicou demasiado tarde e em que o Marítimo, obrigado a ter a iniciativa na maior parte do tempo, nunca conseguiu encontrar argumentos para esperar um final diferente.