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«Bem, é muito triste o que se está a passar com o Boavista. Uma equipa tão forte, das melhores de Portugal e, de repente, vê-se na II Divisão B. Tenho falado com outros jogadores da minha época. O Ricky está triste, o Nélson Bertolazzi também, o Artur, o Bobó, que é dos melhores amigos que tenho no futebol. Fizemos história naquele clube, deixámos uma marca bonita e ver isto agora...», lamentou.

No Sporting terminou sem títulos, mas do Bessa não saiu de mãos a abanar. Marcou ao F.C. Porto na final da Taça de Portugal de 1992, por exemplo: «Foi um golo muito importante. Regressava naquele jogo depois da lesão grave que sofri contra a Torino para a Taça UEFA e dar aquele título ao clube foi grandioso.»

Mas, da passagem pelo Bessa, há uma recordação especial. A surpreendente eliminação do todo poderoso Inter de Milão. A equipa que apelidou o Boavista de «clube das camisolas esquisitas». «Os italianos chegaram cheios de pose. Tinham aquele trio alemão do Brehme, Matthaus e Klinsmann e pensaram que vinham cá ganhar fácil. Nem tinham problemas em dizer que não conheciam a nossa equipa. Ganhámos 2-1 no Bessa e fomos eliminá-los a San Siro. Foi mágico», resume.

«No Sporting, quando não sabíamos o que fazer passávamos ao Gomes»

O sucesso que conheceu no Boavista teve a mesma mão da sua chegada a Portugal. Manuel José, então no Sporting, sugeriu a contratação de um avançado brasileiro, de baixa estatura, dos brasileiros do Santa Cruz. Um avançado, sim, mas não um ponta-de-lança. «No Sporting chegaram a utilizar-me nessa posição, mas depois o mister Keith Burkinshaw, quando chegou, disse-me que eu era habilidoso demais para aquela posição e achava que eu devia jogar mais solto, pela esquerda ou pela direita», explica.

Dos leões guarda a recordação de uma equipa sobre brasas. Chegou em 1986/87 para uma equipa que não vencia um título desde 1982. «Fiz um bom trabalho no Sporting, faltou ter a sequência que tive no Boavista. Estive lá no início daquele período de seca de títulos. Na altura, quando chegava o Natal, parecia que desmoronava tudo. Não se percebia o que acontecia em Janeiro e Fevereiro. Ficou sempre aquela frustração de não ter sido campeão nacional lá», revela.

No entender de Marlon a ausência de títulos nunca se deveu à falta de qualidade do plantel. No ataque, por exemplo, jogou com dois dos melhores pontas-de-lança de sempre do futebol português: Manuel Fernandes e Fernando Gomes. «Considero um privilégio ter jogado com eles. O Fernando Gomes, por exemplo, deixava-me quase sem palavras. É certo que foi na fase final da carreira, mas nós sabíamos que quando não soubéssemos o que fazer com a bola, podíamos dar para ele que ele ia resolver. Era um goleador nato», lembra.

Veja o resumo do jogo com o Inter: