Posição: Avançado

Data de nascimento: 26 de Julho de 1927 (Lourenço Marques, Moçabique); falecido a 27 de Janeiro de 2000, no Canadá

Nacionalidade: Portuguesa

Seleção Nacional: 27 jogos, 13 golos

Período de atividade: 1944-1982

Clubes: João Albasini (Moçambique), 1º Maio (Moçambique), Majacanze (Moçambique), Belenenses, Atlético, Gouveia, Amora, Chaves, First Portuguese (Canadá), Sagres de Victoria (Canadá)

Principais títulos: uma Taça de Portugal (1959/60). Melhor marcador nas épocas 1952/53 e 1954/55

Matateu deu os primeiros toques numa bola de futebol no bairro de Alto Maé, em Lourenço Marques, atual Maputo. As ruas ensinaram-lhe o jeito instintivo de jogar que cativou o árbitro e antigo jogador do Belenenses João Pedro Belo, carimbando-lhe o passaporte para o clube do Restelo.

Aos 24 anos, Matateu estava em Lisboa... preparado para encantar. O avançado estreou-se com a camisola azul num clássico da pré-época contra o F.C. Porto e chegou a dar um ar da sua graça, mas a glória estava para chegar na semana seguinte. Frente ao Sporting, Matateu marcou e deu a marcar, garantindo a vitória do seu clube na primeira jornada do campeonato. Nascia um novo ídolo, um rosto que haveria de ficar para sempre ligado à camisola da Cruz de Cristo.

Ao serviço do Belenenses, Matateu disputou 291 jogos e marcou por 217 vezes. Uma história recheada de êxitos, mas que lhe deixou uma mágoa: o médio nunca venceu um campeonato nacional, isto apesar de não lhe ter faltado oportunidade para isso. Em 1955, Matateu teve nos pés o terceiro golo frente ao Sporting, que lhe haveria de valer o primeiro título nacional, mas o derby acabou empatado e o Benfica, que bateu o Atlético por 3-0, sagrou-se campeão.

Pela selecção, Matateu estreou-se a 23 de Novembro de 1952, contra a Áustria, para marcar 13 golos em 27 encontros. Até ao início da década de 60, Matateu tornou-se a principal referência da equipa nacional, tal como Peyroteo o fôra nos anos 40 e Eusébio viria a ser nas duas décadas seguintes. O encontro entre os três goleadores falhou por uma casualidade histórica: com Peyroteo a seleccionador, uma lesão impediu Matateu de jogar contra o Luxemburgo em jogo de qualificação para o Mundial de 62. Eusébio fez a sua estreia, com apenas 19 anos, marcando o primeiro dos seus 41 golos com a camisola de Portugal. Portugal perdeu 4-2, e Eusébio e Matateu nunca chegariam a actuar juntos.

A potência de remate e o arranque surpreendente de Matateu continuaram, no entanto, a passear-se pelos campos de futebol, mas com menor intensidade. Até Dezembro de 1964, com a camisola do Belenenses, depois de ter sido dispensado do clube do Restelo ¿ num divórcio que deixou marcas em Matateu para o rosto da sua vida - ao serviço de clubes mais modestos.

O Atlético, o Gouveia, o Amora, e o Chaves encerraram o seu percurso no futebol português. O First Portuguese e o Sagres de Victoria, deram seguimento à sua paixão pelo futebol, no incipiente futebol canadiano. Por destino, ou simples devoção, o Bola de Prata das épocas 52/53 e 54/55 continuou a pisar os relvados até aos 55 anos. Só após o seu falecimento, no Canadá, no início do ano 2000, foi possível trazer de volta a Portugal a mais carismática figura na história do Belenenses.