É por estas e por outras que, em diversas ocasiões, se ouvem os adeptos alvinegros gritarem, em uníssono, o nome do angolano quando as coisas não estão a correr de feição. É o verdadeiro talismã da Choupana. «Sinto-me muito acarinhado pela massa associativa que, desde que cheguei, tem sido fantástica comigo. Consegui conquistar, com muito trabalho dentro e fora de campo, a simpatia de todos. Sou muito acessível e gosto de conversar com eles para que saibam que damos tudo para ganhar», sublinhou o camisola nove em exclusivo ao Maisfutebol, em jeito de agradecimento aos adeptos que acompanham a equipa.

A Madeira foi o paraíso perfeito para Mateus se desligar de um dos casos mais polémicos do futebol português que envolveu o seu nome e acabou com a descida de divisão do Gil Vicente. Os adeptos sentiram que tinham de proteger o jogador e formaram um escudo protetor em seu redor. O avançado não esquece e retribui no campo. «Sinto-me em casa. Quando terminei contrato apareceram propostas, mas dei sempre prioridade ao Nacional, mesmo que a oferta não fosse tão vantajosa. Sinto-me bem, tenho uma história aqui e quero deixar uma marca ainda mais vincada, conseguindo um título», reforça o capitão, olhando, sobretudo, para as competições a eliminar: Taça de Portugal, onde tombou duas vezes nas meias-finais, e Taça da Liga.

De paraquedista a referência nas palestras

Mateus é hoje a principal referência de um ataque capaz de fazer mossa em qualquer adversário. Ainda assim, a aura com que aterrou na Madeira, há sensivelmente seis anos, era bem menos visível.

Olhando a esta distância para a carreira do angolano percebe-se que nada lhe foi oferecido. Os degraus fora, subidos sustentadamente e até houve, pelo meio, uma passagem por Alvalade que só resultou à segunda. «Fiz um teste no Sporting, não fiquei, mas eles gostaram de mim. Fui para Beja, desatei a marcar golos e chamaram-me para regressar. Cheguei, de paraquedas, a uma equipa que tinha o Beto (Sevilla), Santamaria, Djaló, João Moutinho, Saleiro, Miguel Veloso. No início olhavam para mim como o patinho feio, porque era fraco tecnicamente, mas marcava muitos golos», recorda Mateus, recuando até aos primeiros dias em Alvalade.

O tempo, porém, encarregou-se de corrigir as injustiças e nunca mais nada foi como dantes. O angolano despiu o fato de patinho feio e passou a terror das defesas adversárias. Um processo longo ao qual só faltou um patamar: chegar a um grande.

«Anos depois, quando jogava contra colegas com quem me cruzei no Sporting, diziam-me que no balneário só falavam de mim. Nos compactos antes do jogo preparavam a maneira de me anular porque me consideravam perigoso. Hoje, quando me encontram, dizem que estou um jogador tremendo. Confesso que sinto orgulho por ter mudado a opinião das pessoas. Jogar num grande? Sinceramente, penso que tenho qualidade, mas não vivo amargurado», rematou Mateus, forte e colocado, como se estivesse à beira de celebrar mais um golo.