A chuva vai continuar a cair nos próximos dias e, neste sentido, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) alertou esta terça-feira para um agravamento do risco de inundações e deslizamentos de terras. A principal preocupação é a precipitação, embora se preveja também vento forte nas terras altas e agitação marítima com ondas que podem atingir entre 10 a 11 metros.

«O quadro meteorológico para hoje e para os próximos dias mantém-se com precipitação persistente e vento forte por vezes, embora o vento neste momento não seja a maior preocupação, a maior preocupação é efetivamente a precipitação», explicou Mário Silvestre, comandante nacional da Proteção Civil. 

Apesar de o IPMA ter emitido apenas avisos amarelos e laranja, o comandante nacional sublinha que este não é «um episódio normal de inverno», tendo em conta a saturação dos solos, dos cursos de água e das albufeiras, muitas já nas cotas máximas de enchimento.

«Numa situação normal, em que o país não estivesse sob o stress que, em termos de tempestade a que temos tido até agora, seria um episódio normal de inverno. No entanto, não o é por causa de tudo o que temos vindo a reforçar, nomeadamente o impacto que esta precipitação tem nos cursos de água já de si bastante saturados e nas albufeiras que estão nas suas cotas máximas de enchimento», explicou Mário Silvestre, acrescentando que o principal impacto será «na zona de toda a bacia hidrográfica do norte do país»: Vouga, Tâmega, Lima, Minho e Douro, sendo que os rios Mondego, Tejo, Sorraia, Vouga, Águeda e Sado se mantém com riscos agravados.

Estão atualmente ativados 11 planos distritais, 125 planos municipais e 15 declarações de situação de alerta, sendo que o plano da bacia do Tejo permanece no nível vermelho. Desde o início do episódio foram registadas 13.388 ocorrências, envolvendo mais de 46 mil operacionais e 18.500 meios, sendo a queda de árvores a ocorrência mais frequente.

A Proteção Civil reforça os apelos à população para adotar comportamentos preventivos, evitar zonas inundadas, não atravessar estradas submersas e estar atenta a sinais de instabilidade do terreno, alertando que a precipitação poderá manter o cenário de risco elevado nos próximos dias.