A viver o primeiro mês dos 47 anos, Ricardo Sousa – outrora herói do Beira-Mar no Jamor – desfruta da tranquilidade de Aveiro, cidade na qual reside há quase 30 anos, antes de retomar a aventura enquanto treinador. Num modesto café no coração da “Veneza de Portugal”, Ricardo Sousa conversa com o Maisfutebol e levanta a mão a quem o reconhece e cumprimenta.

O antigo médio – com formação no FC Porto – admite particular preocupação pelo filho Afonso Sousa, que recupera de lesão desde outubro. No verão, o médio de 25 anos – formado no FC Porto, onde conquistou a Youth League – deixou o Lech Poznan com o título da Polónia na bagagem, reforçando os turcos do Samsunspor. Pelo meio, Afonso Sousa rejeitou uma proposta para regressar a Portugal.

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Maisfutebol: O filho do Ricardo, o Afonso Sousa, está na Turquia e recupera de uma lesão.

Ricardo Sousa: Vive o momento mais delicado da carreira. Fez a melhor época na Polónia, onde foi campeão e premiado como o melhor médio. Foi contratado como “a figura” do Samsunspor, a contratação mais cara, mas sofreu uma lesão grave – partiu um tendão de um pé – o que obrigaria a parar até oito semanas, mas já vamos em 15 semanas. É normal que esteja mais frágil.

MF: Como lida com o filho a esta distância?

RS: É difícil, gostava de estar mais presente. Viajo e assisto a vários jogos, faço por estar presente e falamos diariamente, mas é difícil estar longe, sobretudo nestes momentos. É normal que precise dos seus por perto.

MF: O Afonso não teria lugar na Liga portuguesa?

RS: Claro que sim. No verão rejeitou uma proposta dos quatro “grandes”. Sentiu que, ao fim de tantos anos em Portugal, nunca teve a oportunidade para se impor na Liga, sendo obrigado a emigrar para receber o devido reconhecimento. Por isso, optou por permanecer no estrangeiro. Financeiramente também é benéfico.

MF: Que clube português tentou contratar o Afonso?

RS: Teve uma proposta do Sp. Braga.

MF: Numa família de desportistas, o que gosta o Ricardo de praticar?

RS: Apesar dos joelhos, gosto de praticar padel. É importante conviver e ter momentos de abstração.

MF: Qual o principal sonho enquanto treinador?

RS: Chegar à Liga. Trabalho e luto todos os dias para alcançar esse patamar e provar que esse é o meu lugar.