Prometia ser um dos melhores dérbis dos últimos tempos. E assim foi. Pela primeira vez na história, Sporting e Benfica enfrentavam-se nos «quartos» da Liga dos Campeões de futsal. Apenas o quarto jogo em toda a competição.

Mas este era diferente dos outros: valia uma passagem para o sonho ou a destruição de um objetivo. Valia, portanto, bem mais do que apenas um jogo – valia a presença na «Final Four», que decorre em Pesaro (Itália) este ano.

RECORDE O FILME DO JOGO.

Após um jogo de loucos na primeira mão – que terminou com a vitória do Benfica (4-3) – o Sporting precisava de um bom início para apimentar a eliminatória. Pois bem, o início foi, diria até, perfeito.

Aos seis minutos, os leões já venciam por quatro golos. Tiveram também outro gostinho especial pelo meio. Mas já lá vamos.

Ainda no primeiro minuto houve duelo entre guarda-redes que terminou em golo. Bernardo Paçó subiu na quadra – como ele bem sabe – e pelo lado direito atirou com força, peso e medida para o primeiro dos leões.

A entrada arrasadora dos leões estava, apenas, a começar. Logo de seguida, Pany Varela – que representou o Sporting durante vários anos – cortou uma bola com o braço na linha de golo. O ala viu o cartão vermelho. E, como esperado, podemos dizer que não foi ovacionado à saída para os balneários. O Sporting, por sua vez, aproveitou a grande penalidade para, nos pés de Bruno Pinto (ex-Benfica), dilatar a vantagem para dois golos.

O terceiro estava para chegar, para a loucura dos adeptos leoninos. Numa saída em falso do Benfica, Wesley recuperou a posse de bola, arrancou pelo corredor esquerdo e atirou de bico para o golo.

O quarto dos leões chegou ao minuto seis. Zicky, que está a voltar a ter minutos após uma lesão complicada, recebeu do lado direito, aguentou e serviu Tomás Paçó. Com a baliza toda escancarada, o fixo leonino teve tempo de ajeitar e atirar para no fundo das redes.

A meio da primeira parte o Benfica conseguiu equilibrar o jogo e quebrar o ritmo intenso que o Sporting aplicou nos dez minutos iniciais.

Assim, as águias cresceram no jogo e marcaram pelos pés de Silvestre. O ala internacional português atirou de muito longe um remate rasteiro. A bola saiu cruzada, Paçó ainda tocou, mas não evitou o golo. O segundo do Benfica veio pelos pés de Arthur. Num belo desenho ofensivo, o Benfica avançou no terreno. O brasileiro, pelo lado direito, pisou para dentro e atirou a meia altura para o primeiro poste. Estava feito o segundo e o jogo estava relançado!

As equipas recolheram aos balneários com o Sporting em vantagem na eliminatória.

Porém, foi o Benfica quem teve o arranque mais feliz no segundo tempo. Na sequência de um canto, a bola sobrou parta André Coelho, que atirou a contar para o terceiro golo das águias. A eliminatória estava, naquele momento, empatada (7-7).

Ainda assim – empurrados pelos adeptos – os leões de Nuno Dias retomaram a vantagem na eliminatória. Também através de um canto, surgiu Tomás Paçó a desviar para o quinto da equipa da casa.

O jogo estava quente. E quente se manteve.

O Benfica não se deixou ir abaixo e voltou a colocar a igualdade no marcador. Silvestre – numa bela jogada individual – trocou as voltas a Wesley e serviu Peléh, que, dentro de área, apenas desviou para o 5-4.

Eliminatória novamente empatada. Até que o Sporting respondeu… e de que maneira!

Num livre em ótima posição, Merlim recebeu, pisou para o lado e serviu Diogo Santos. O ala luso surgiu sozinho ao segundo poste e atirou a contar para o sexto do Sporting.

Pouco depois, Arthur viu o segundo amarelo por protestos. O brasileiro foi, assim, expulso e deixou o Benfica reduzido a quatro unidades. O Sporting agradeceu e Bruno Pinto aproveitou. O ala internacional português surgiu no corredor central e "acordou a coruja" que dormia no canto superior esquerdo.

O Sporting passava, assim, a ter uma vantagem de dois golos na eliminatória.

O Benfica ainda apostou no 5x4 nos últimos três minutos, mas não conseguiu reagir. O apito final ditou o triunfo do Sporting (7-4) – 10-8 no aglomerado – que avança para a «final four» à procura da terceira Liga dos Campeões.