O Boavista fez xeque-mate nas contas da manutenção. O triunfo em Moreira de Cónegos garante matematicamente a permanência na I Liga. Musa vestiu a capa de herói ao apontar o golo da vitória, logo após o empate do Moreirense.

Vida muito difícil para Sá Pinto que, no final do encontro, ficou completamente descontrolado e, quem pagou as favas, foi o banco de suplentes. O técnico descarregou toda a fúria no acrílico do banco, dando socos e estando largos minutos lá sentados, acabando, também, por não conter as lágrimas.

Gorré abriu o marcador para os axadrezados, no primeiro tempo, e, aos 88’, Rafael Martins fez a igualdade. A festa rija dos locais demorou apenas um minuto, já que Musa foi à área contrária marcar o golo que vale toda uma época para as panteras. E, após o golo, surgiram quatro cartões vermelhos: Musa exagerou nos protestos e viu o segundo amarelo; Petit e Sebastian Perez não gostaram e também foram expulsos; Paulinho, do lado dos cónegos, seguiu o mesmo caminho.

Os cónegos continuam no lugar de play-off de descida – à espera do que vai fazer o Tondela – e nem a presença de Sérgio Conceição nas bancadas inspirou os locais. A duas jornadas do fim, o Moreirense soma apenas 26 pontos. Seguem-se a deslocação ao terreno do Estoril e a receção, na derradeira jornada, ao Vizela.

Moreirense a jogar sobre brasas

Depois da derrota frente ao Portimonense, o técnico dos cónegos trouxe quatro alterações a partida com os axadrezados. Artur Jorge, Fábio Pacheco, Derik Lacerda e Gonçalo Franco deram o lugar a Pablo, Sori Mané, Matheus Silva e Pedro Amador. Já o treinador das panteras, depois da derrota na receção ao Sporting, fez apenas duas alterações, deixando no banco De Santis e Nathan e fazendo alinhar de início Sebastian Perez e Musa.

A formação minhota entrou a todo o gás e logo no segundo minuto esteve muito perto de inaugurar o marcador. Paulinho arrancou em velocidade pela direita e cruzou para cabeçada de Rafael Martins para fantástica defesa de Bracali. O Boavista estabilizou e, na primeira oportunidade, foi bem mais eficaz.

Perda de bola de Jefferson no miolo de terreno, o esférico sobrou para Gorré que foi por ali fora e, depois de entrar na área, rematou cruzado para golo. Festa dos muitos adeptos axadrezados que se deslocaram a Moreira de Cónegos. Os da casa acusaram muito o golo e começaram a jogar sobre brasas.

Muitas perdas de bola, ligações sem consequência e só não sofreram o segundo porque Gorré, com a cabeça, não teve a mesma eficácia que teve com o pé esquerdo. Estava completamente solto no coração da área, cabeceando a rasar o poste.

Aos locais faltava discernimento para construir jogo, mas sobrava garra e coração. No meio deste turbilhão de sentimentos, Rafael Martins ficou perto do empate, já em cima do descanso, rematou forte rente ao poste. Estava difícil a vida dos cónegos.

Reação cónega não chegou

A papel químico do primeiro tempo, o Moreirense entrou mais forte e voltou a fica muito perto do golo. Cruzamento milimétrico de Matheus Silva e Pedro Amador, solto ao segundo poste e com a baliza escancarada, cabeceou por cima. Contudo, apesar do domínio, os locais não conseguiam marcar e Sá Pinto, que já havia feito uma substituição forçada no primeiro tempo, lançou mais dois.

O técnico reforçou a frente de ataque com a entrada de André Luís e o lado direito com Rodrigo Conceição, sob o olhar atento na bancado do pai, Sérgio. Petit respondeu e mexeu no miolo de terreno, trocando Vukotic por Hamache.

Os minutos finais foram de loucos. O Moreirense carregou e tentou tudo para chegar ao golo. Conseguiu a dois minutos dos 90. Rafael Martins fez o empate para delírio dos adeptos. O tento dava um precioso ponto na luta pela manutenção. No entanto, no minuto seguinte, Musa isolou-se e voltou a desfazer a igualdade, para grande festa axadrezada.

No meio dos festejos, foram quatro expulsos, três do Boavista e um do Moreirense. Musa exagerou nos festejos e viu o segundo amarelo; Petit e Sebastian Perez protestaram pelo cartão ao avançado e também tiveram ordem de expulsão; do outro lado, Paulinho também protestou e foi para a rua.

Até ao final dos dez minutos de compensação, muito coração do Moreirense não chegou para voltar a empatar.