«Vai haver um 'tsunami' que vai varrer clubes, desde a Primeira Liga aos distritais, porque a maioria deles não tem condições, andou a engordar e criou uma bolha, que vai rebentar com consequências devastadoras», defendeu Evangelista, em declarações à Lusa.

O principal representante do Sindicato dos Jogadores sugeriu que a crise financeira mundial aconteceu «porque houve excesso de liberalismo» e o futebol leva o mesmo caminho: «Atingimos o extremo e a bolha está a rebentar.»

Evangelista diz-se preocupado com a conduta dos dirigentes nacionais, que «não estão preparados para a situação» e têm que «perceber que é impossível manter as condições actuais». Parte da solução pode ser a viragem das políticas de contratação e transferências, defende: «É impossível manter durante mais tempo o nível de salários, contratações e a aposta em jogadores estrangeiros, que eram a característica deste modelo profissional».

Esta «inversão deliberada», conta Evangelista, já vai acontecendo com «alguns dirigentes que procuram jogadores desempregados junto do Sindicato».

O presidente do SJPF lembra os «reflexos patentes no mercado de Inverno» e admite não ter ficado admirado com os 13 milhões de euros de prejuízo de FCPorto, Benfica e Sporting, em apenas seis meses: «Era previsível, já tinha alertado no início da época. Mas, estes casos são mais evidentes porque são os três grandes que 'canibalizam' as receitas de publicidade e patrocínios. Agora, se estes estão assim, como estarão os outros¿»

Evangelista apela a uma «política efectiva na formação» e aponta a «aposta em jogadores nacionais, o que reduziria custos e perspectivaria lucros numa futura venda» como o caminho a seguir para a «sobrevivência» do futebol português.