A 'World Cup Experts Network' reúne órgãos de comunicação social de vários pontos do planeta para lhe apresentar a melhor informação sobre as 32 seleções que vão disputar o Campeonato do Mundo. O Maisfutebol representa Portugal nesta iniciativa do prestigiado jornal Guardian. Leia os perfis completos das seleções que participarão no torneio:

Autores dos textos: Alessandro Bocci e Tommaso Pellizzari

Parceiro oficial em Itália: Corriere della Sera 

Revisão: Filipe Caetano

A Itália é mais um coletivo do que uma equipa de jogadores individuais. Esta é uma estratégia que Cesare Prandelli já usou no Europeu da Polónia e Ucrânia há dois anos e será repetida no Brasil com o slogan: não somos os mais fortes, mas podemos ser os mais fortes. Como? Transformando a seleção num clube.

Não haverá apenas uma Itália, pois os azzurri terão de estar preparados para alterar a tática ao longo dos jogos. O sistema usual será o 4x3x1x2, que foi útil nos campeonatos da Europa, com um pivô defensivo que permite a movimentação constante dos jogadores. Andrea Pirlo será o regista e Riccardo Montolivo atuará entre as linhas atrás dos avançados, com a possibilidade destes papéis virem a ser trocados. Nas outras áreas do campo, Prandelli deverá testar Gabriel Paletta no centro da defesa (ao lado de Andrea Barzagli ou Leonardo Bonucci) e Giorgio Chiellini deverá ir para o lado esquerdo.

O ataque fica entregue a Mario Balotelli, que será a primeira mas não a única opção. Também existe a possibilidade de alterar o esquema durante o jogo para 4x3x3 e passar a usar um falso nove, com Antonio Cassano a jogar na mesma posição que ocupa no Parma, acompanhado por Antonio Cantreva e Alessio Cerci. Também existe a possibilidade do 3x5x2, que o técnico usou com sucesso na Polónia no primeiro jogo com a Espanha, e também no ano passado com o Brasil na Taça das Confederações.

Neste caso Daniele de Rossi, em vez de Bonucci, poderá liderar o setor mais recuado e a filosofia será bem clara: jogar sempre a partir da defesa. A Itália do catenaccio pode ser uma memória antiga, mas Prandelli quer uma equipa com linhas adiantadas e ofensiva, controlando grande parte dos jogos. Jogue quem jogar contra os azzurri terá de estudar muito bem a equipa, mas a sua imprevisibilidade torna difícil de adivinhar como podem atuar em campo.

Que jogador vai surpreender neste Mundial?

Previsível, mas será Mario Balotelli. Se conseguir atingir o nível de Euro 2012, a Itália terá uma mudança extra.

Que jogador vai dececionar no Brasil?

Talvez toda a defesa, pela sua idade. Durante tantos anos foi a grande força, agora repentinamente é uma fragilidade.

Qual é a expetativa real para a seleção no Mundial?

Pelo menos os quartos-de-final, sendo que a meia-final já será um sucesso.

Curiosidades e segredos da seleção

Gianluigi Buffon

No final de uma época em que conseguiu regressar aos grandes níveis do passado, a única coisa que Gianluigi Buffon não conseguiu parar foi os paparazzi. Uma revista de rumores surpreendeu o guarda-redes num encontro secreto com Ilaria D’Amico, apresentadora de um programa de televisão da Sky Sports. A notícia dizia que os dois, ambos casados, tinham uma relação, o que criou alguma sensação entre a imprensa cor de rosa. Na final da Liga Europa, realizada em Turim, Buffon apareceu no estádio com a sua mulher, mas as caras não mostravam grande felicidade.

Leonardo Bonucci

Poderá dizer-se tudo sobre Bonucci, mas não que não consiga rir-se dele próprio. Depois de ter falhado o penalti crucial na meia-final da Taça das Confederações surgiram muitas piadas na Internet (como aquela que mostrava a bola a ir parar à lua) e subsistem alguns sinais disso mesmo na sua conta de twitter: uma fotomontagem em que o defesa coloca a bola na marca de grande penalidade, mas uma bola de râguebi e não de futebol.

Ricardo Montolivo

A mãe do médio do Milan é alemã: chama-se Antje e é natural de Kiel. Por esta razão o jogador italiano passou os verões durante 15 anos em Schleswig-Holstein, perto de Hamburgo, com os seus familiares. Montolivo é bilingue e nas suas botas usa a bandeira italiana numa bota e a alemã na outra. Sente-se 90% italiano e há alguns anos conseguiu combinar uma jogada de golo com o colega Zdravko Kuzmanovic (um sérvio que vinha da Bundesliga) falando com ele em alemão para que os defesas do Chievo não percebessem.

Gabriel Paletta

Existe a possibilidade do defesa nascido na Argentina e com avós da Calabria estabelecer um recorde no Brasil: ser o único jogador sem tatuagens ou brincos. «Odeio-os. Sou um rapaz normal», afirmou.

Perfil de uma figura da seleção: Giorgio Chiellini

Chiellini não é tão malicioso como o pintam. No final da temporada, quando a Juventus já era campeã, o defesa foi à televisão pedir desculpa da cotovelada que deu a Miralem Pjanic, da Roma, explicando que a competitividade para ele é uma forma de manter a adrenalina durante o jogo. Ainda assim acabou por ser punido com três jogos de suspensão e não se livrou da fama.

Entre os jornalistas é fácil de perceber que se trata de um jogador sempre disponível e educado, muito mais do que os seus colegas. Independentemente do resultado fala sempre bem, o que é não comum entre os jogadores.

Nascido em Pisa a 14 de agosto de 1984, Chiellini jogou quatro épocas no Livorno até assinar pela Juventus do seu ídolo Scirea (que serviu de inspiração para o seu livro denominado «Há um anjo branco e preto. O meu mestre chama-se Scirea). O defesa não largou os estudos e chegou mesmo a concluir o bacharelato em Economia.

Em campo pode fazer quase tudo, mas sendo canhoto aprendeu a jogar numa defesa com três elementos (nomeadamente no Livorno, mas também na Juventus de Conte). Em equipas com quatro defesas tanto fez de lateral como de central, sempre com grande poder de choque, nem sempre com grande proteção, o que o levou a partir o nariz por quatro vezes.

Estreou-se na seleção há dez anos, em novembro de 2004, quando Marcelo Lippi era o selecionador. Quando vestiu pela primeira vez a camisola azul da Itália, um ano e meio antes do Mundial de 2006, Chiellini era demasiado novo para fazer parte da equipa que viria a sagrar-se campeã, sendo aposta regular nos sub-21 de Claudio Gentile. Viria a assumir-se titular quando Fabio Cannavaro entrou em declínio, substituindo-o já com Roberto Donadoni no Euro 2008. Desde então nunca mais deixou a seleção, acumulando 67 internacionalizações e quatro golos. Estava lá no desastroso Mundial da África do Sul, mas também na final perdido para a Espanha no Euro 2012.